Nota
Estreando em junho de 2025, com a direção do renomado Danny Boyle, do aclamado Quem Quer Ser um Milionário? (2009), o terceiro filme da saga Extermínio retrata as consequências da fatalidade de 28 anos atrás, em que o vírus da raiva escapou de um laboratório e contaminou grande parte dos humanos, que vieram a se tornar zumbis que se alimentam de humanos não-contaminados para sobreviver. O que garante a sobrevivência de alguns grupos de humanos é o muro que separa a ilha de um território mais protegido. No entanto, a população de lá ainda vive em condições muito precárias, marcadas principalmente pela escassez de alimentos e falta de avanços na medicina.

Essa precariedade torna-se mais evidente ainda pela situação da mãe do protagonista, Spike (Alfie Williams), Isla (Jodie Comer), que se encontra doente desde o início da obra. Assim, Extermínio: A Evolução é um filme com toques de fantasia bastante marcantes, que deixam o espectador bastante imerso naquele mundo, contudo ainda existem diversos detalhes que deixam evidentes a falta de base no roteiro da obra.
Extermínio 3 inicia contextualizando o espectador que não assistiu aos outros filmes à narrativa no geral, que perpassa a trilogia das obras, e depois vai tomando um ritmo bem interessante. A obra explora bastante a relação de Spike com o seu pai, Jamie (Aaron Taylor-Johnson), enquanto transloca o público para uma dinâmica muito parecida com video-game, quando Jamie resolve treinar o seu filho para matar os zumbis. Surpreendendo o público, o filme, apesar de seguir com essa pegada de jogo, mostra diversas outras facetas voltadas para o drama e fantasia, com personagens muito bem desenvolvidos em um cenário hipnotizante. Tocando nesse ponto, a cinematografia e direção de fotografia da produção é realmente cativante, e mostra o seu potencial desde o início, o que dá bastante força a obra no geral.

Todavia, existem diversos detalhes na obra que a tornam de certa forma voltada mais ao trash e a comédia, que parecem de certa forma deslocados com o contexto geral do filme. Um exemplo disso é o bebê que aparece do nada, consegue sobreviver por dias somente com água, e não chora em nenhum momento, mesmo com barulhos estrondosos e situações de perigo. Assim como o final totalmente em aberto, que foge completamente da pegada da narrativa e de certa forma parece ser um furo no roteiro, uma cena adicionada a partir da falta de ideias, que parece não combinar e nem fechar tão bem a trilogia de obras.
Mesmo com a evidente intenção de trazer um quarto filme, era necessária uma abordagem mais condizente com toda a narrativa, dando ao roteiro a chance de se igualar com toda a qualidade estética da obra. Dessa forma, Extermínio: A Evolução é um filme que surpreende, entretém e realmente prende o espectador do começo ao fim. No entanto, poderia ser muito melhor se o roteiro fosse explorado e consolidado de forma mais madura e criativa. Houve uma ousadia, mas faltou esse toque aliado à própria essência da obra, do início ao fim.