Crítica | Quebrando Regras (Rule Breakers)

Nota
2.5

Uma premissa incrível, para um filme pouquíssimo estruturado. Quebrando Regras, a mais nova obra da Angel Studios, chega literalmente quebrando os padrões de filmes cristãos da produtora. Com a recente e frequente produção de obras sobre empoderamento feminino, como Cabrini (2024), Quebrando Regras é mais um filme inspirado em fatos reais, que fala sobre a luta de mulheres por seus direitos essenciais, no entanto, sem o enfoque no cristianismo. A produção retrata a história de uma professora afegã visionária, Roya Mahboob (Nikohl Boosheri), que desafiou as normas patriarcais do seu país e, acreditando na potência da educação, incentivou e empoderou meninas a seguirem os seus sonhos no âmbito da ciência e tecnologia. O filme possui uma premissa extremamente forte e necessária, mas peca exatamente na execução.

O patriarcado no Afeganistão é uma problemática totalmente enraizada na sociedade, realidade na qual meninas, adolescentes e mulheres são inseridas desde o berço. Imposições sociais, limitações, silenciamentos e diversas outras formas de violência afetam intrinsecamente o próprio direito de mulheres afegãs existirem livremente. Um dos âmbitos mais marcantes no que diz respeito ao silenciamento, são as restrições à educação: um direito básico e essencial para qualquer indivíduo. Sendo assim, a narrativa retrata a jornada da Roya Mahbob empoderando jovens afegãs a desenvolverem os seus talentos na tecnologia, embarcando em seus sonhos ao viajarem para participar de uma competição de robótica internacional. Dessa maneira, torna-se perceptível que Quebrando Regras possui uma temática importantíssima, um retrato real e essencial que destaca a relevância da educação na emancipação das mulheres afegãs.

Entretanto, a obra flui de maneira engessada e rasa. O roteiro não conseguiu atender à dimensão da premissa, o que leva o longa a não prender tanto o espectador, por não desenvolver as personagens e a narrativa em si da maneira mais aprofundada. Por conta disso, o filme não parece correr da maneira que deveria. Duas horas parece tempo demais, para uma história que poderia ser contada em 1h40. Mas como boa parte dos filmes da Angel Studios, ele realmente tem um tempo muito extenso, e as entrelinhas da narrativa parecem estar sendo preenchidas simplesmente para cumprir o tempo padrão das obras da produtora.

Para uma premissa tão relevante, faltou trazer para a técnica esse toque mais revolucionário, e até mesmo autêntico, de maneira que a obra pudesse realmente prender o espectador e ganhar mais destaque diante de uma temática tão essencial. Quebrando Regras, assim, é um filme que retrata um assunto tão profundo de maneira rasa, que parece apenas uma “propaganda”, o que de certa forma contribui para que a pauta seja até mesmo banalizada e não tenha a devida atenção, visto que não consegue cumprir o principal papel que é: prender o público do começo ao fim.


Estudante de cinema, pernambucana

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