Review | Olympo [Season 1]

Nota
3.5

“Já viu que não vai te faltar cárdio…”

Os melhores atletas da Espanha treinam no Centro de Alto Rendimento Pirineos (CAR Pirineos). Mas quando Zoe Moral quebra um recorde e é convidada para a equipe de heptatlo do CAR, ela não esperava encontrar muito mais do que atletas excepcionais com corpos divinos. No CAR, um dos maiores nomes é Amaia Olaberria, capitã da equipe de nado artístico e filha de Miren Celaya, uma famosa ex-nadadora. Amaia luta dia após dia para conquistar a chance de representar seu país nas Olimpíadas, mas tudo parece bater de frente com os erros de sua dupla — e melhor amiga desde a infância — Nuria Bórgues. Tudo muda completamente quando, após passar uma semana afastada por uma falsa lesão no ombro (na verdade, uma desculpa para uma viagem secreta com o famoso Hugo Teixeira), Nuria volta muito melhor no nado, superando o desempenho de Amaia. Logo depois, porém, ela apaga durante um treino, deixando a amiga preocupada — principalmente quando Nuria desaparece e todos os funcionários do CAR parecem querer esconder algo. Se você achava que Élite já tinha explorado todos os limites ao retratar tensão, sexualidade e conspirações dentro de uma escola, Olympo chega para superar as expectativas. A série entrega tensão, sexualidade, conspirações e muito mais mistério, enquanto debate temas como abuso psicológico nos centros esportivos, preconceito e a busca excessiva por excelência.

Criada por Jan Matheu, Laia Foguet e Ibai Abad, Olympo promete ser a sucessora espiritual de Élite, e já começa seus primeiros episódios com intensas sequências sexuais (hetero e gay) para provar que não tem medo de ousar. Ao mesmo tempo, a série constrói uma tensão magnífica, descartando a ideia tradicional de um crime da temporada para apostar em algo muito mais elaborado: alguns atletas estão melhorando seu desempenho de forma inexplicável. Tudo indica que a causa seja o uso de uma nova substância que potencializa o rendimento físico, mas que não aparece nos exames antidoping. Uma trama mais séria e adulta, mas jogada dentro de um mundo jovem, cheio de sexo, drogas e rivalidades, poderia facilmente dar muito errado… mas dá muito certo. A série sabe exatamente o que está construindo desde o começo, principalmente quando somos oficialmente apresentados aos olheiros da Olympo: Hugo Teixeira, Iker Delallave e Jana Castro. O trio é responsável por escolher três atletas de destaque para serem patrocinados pela marca de roupa — um grupo que parece estar acima de todo mundo, mas que guarda segredos muito mais obscuros que qualquer atleta do CAR. Inclusive por serem parte fundamental do esquema envolvendo a substância que está causando todos os problemas no centro.

Famosa por seu protagonismo na trilogia Através da Minha Janela, Clara Galle é um dos grandes motores da trama com sua Amaia. Ela é a grande estrela do CAR — e também do próprio show. Quando começa a suspeitar que Nuria estava envolvida com doping, Amaia mergulha de cabeça em uma investigação clandestina para descobrir o que é a substância que pode ter causado o colapso da amiga, quem mais está consumindo ou envolvido com ela e, principalmente, qual dos funcionários do CAR está fornecendo a droga. Uma cruzada que compromete seus treinos, sua supremacia… e que também a consome psicologicamente. Quem divide o protagonismo das telas com Galle é Nira Osahia. Embora não tenha tanta força narrativa quanto a co-protagonista, Zoe consegue ganhar bastante espaço com seu dilema pessoal: entender onde foi parar, o que está disposta a fazer pelo sucesso e por que foi escolhida como uma das atletas patrocinadas logo nos primeiros dias de treino no CAR. Indo além do mistério envolvendo as substâncias e da rivalidade que surge entre Amaia e Zoe, outros atletas também se destacam por seus dilemas e objetivos. Roque Pérez, maravilhosamente interpretado por Agustín Della Corte, é o capitão da equipe de rugby e vive um romance secreto com Diego, da equipe de natação. O problema é que sua sexualidade logo se torna um grande obstáculo em sua carreira. Após uma briga com Diego, que os afasta, Roque acaba se sentindo atraído por Sebas, um colega de time que faz de tudo para mostrar que não sente nada pelo capitão… mesmo que sinta.

Mesmo com uma trama central tão forte, o show não deixa de desenvolver subtramas densas e representativas. Ainda que alguns personagens tenham pouco tempo de tela, eles deixam sua presença marcada nos entornos da história, criando oportunidades para que, em futuras temporadas, sejam mais explorados — até porque muitos já possuem conexões diretas com as protagonistas. É o caso de Miqui, um atleta paralímpico do heptatlo; da atleta intersexo (cujo nome é melhor omitir para evitar spoilers) e sua luta para continuar competindo como mulher; da breve, mas significativa, trama de Jennifer, do ciclismo, e sua ligação com o passado de Zoe; ou ainda de Cristian Delallave (interpretado por Nuno Gallego, o Héctor Krawietz da última temporada de Élite), da equipe de rugby, que vive à sombra das expectativas: por ser irmão do lendário Iker Delallave e namorado da competente Amaia. Uma pressão que, em determinado momento do enredo, cobra seu preço.

Composta por oito episódios de cerca de 45 minutos cada, Olympo já tem sua segunda temporada confirmada e deixa a sensação de que há muito mais a ser explorado nesse universo. A série acerta ao criar uma trama envolvente, cheia de tensão e crítica social, mas carrega nas mãos um grande desafio: conseguir amadurecer sua história nas próximas temporadas sem cair na armadilha de se entregar ao excesso de tramas sexuais e conflitos fúteis — um problema que acabou desgastando Élite com o tempo. Por enquanto, Olympo mostra que tem potencial para se tornar algo ainda maior, mas precisa encontrar o equilíbrio entre o entretenimento fácil e a construção de um drama verdadeiramente consistente.

 

Sonhador nato desde pequeno, Designer Gráfico por formação e sempre empenhado em salvar o reino de Hyrule. Produtor de Eventos e CEO da Host Geek, vem lutando ano após ano para trazer a sua terra toda a experiência geek que ela merece.

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