Nota
Após 30 anos fora dos circuitos de Fórmula 1, o piloto Sonny Hayes (Brad Pitt) é coagido por seu velho amigo e rival das pistas, Ruben Cervantes (Javier Bardem), a sair da sua aposentadoria para integrar um time fracassado com altas chances de ser encerrado, o APX GP, onde o jovem Joshua Pearce (Damson Idris), que lidera o time, também está com medo de perder seu emprego. Porém, a chegada de Sonny não irá animar o jovem, que se sente ameaçado da sua posição e também não aceita conselhos de um piloto, mesmo que experiente, ainda assim é tão fracassado quanto ele, já que Sonny não chegou a ganhar nenhuma vez uma corrida Grand Prix. Mesmo entrando num barco furado, só assim Sonny terá mais uma chance de voltar aos tempos de glória, e provar a si mesmo como piloto, mesmo que isso signifique que ele tenha que deixar a arrogância de lado e criar um laço verdadeiro de equipe com a APX GP, e principalmente com o jovem Joshua. Do mesmo diretor de Top Gun: Maverick (2022), Joseph Kosinski, F1 é cheio de ação, inspirado em vivências reais de pilotos da Fórmula 1.

Após seus trabalhos com os atores Cris Hemsworth e Tom Cruise, o diretor Joseph Kosinski retorna a um estereótipo de sua carreira, trazendo mais histórias de superação embaladas em muita ação, conflitos de interesses e claro muitos efeitos práticos. Após o sucesso de Maverick, Kosinski abandonou os aviões e trouxe uma narrativa parecida, só que dessa vez com carros de corrida. A premissa é bem parecida, um experiente piloto se junta ao time para treinar um piloto mais jovem para eles conseguirem vencer, mas dessa vez sem toda a pressão do contexto de guerra que há na franquia Top Gun, e com um time com funções mais diversas, mas que são exaltadas ao longo do filme, mostrando que na corrida não apenas um bom piloto importa. A princípio, uma premissa tão parecida com a franquia Top Gun, poderia ser um diminutivo para a qualidade do filme, o que não acontece, já que F1 consegue reinventar o gênero por sua qualidade técnica. A produção, que foi filmada inteiramente em IMAX, trouxe uma tecnologia inovadora para a captação dos atores e dos carros em alta velocidade, com câmeras que se moviam em 360º com controle via wireless, para captar com mais realidade os carros e trazer ainda mais uma imersão ao espectador.
A captação inovadora de imagens em F1 também permitiu que os atores estivessem mais imersos aos seus personagens, já que em todas as cenas que eles pilotam, eles estavam realmente lá, o que trouxe até mais naturalidade para as cenas de corrida. Sobre o elenco, a escolha de cada ator não foi proposital, Brad Pitt foi escolhido ao invés de Tom Cruise, que já fez dois trabalhos com o diretor, porque, segundo Kosinski, Brad Pitt seria mais confortável de trabalhar, já que a direção dos carros seriam muito perigosas, dando a entender que Tom Cruise, ator conhecido por não usar dublês e fazer todas as suas cenas não importa o quão difícil seja, não seria tão prudente com relação aos riscos da filmagem. Mas apesar de conduzir as cenas de ação com maestria, Brad Pitt não faz nada demais além de ser… O Brad Pitt. Isso na verdade funciona para o personagem, que precisa ser arrogante e super confiante, o que casa bem com o estereótipo de papéis que o ator já fez ao longo dos anos, mas nada digno de grandes premiações, como sugeriram alguns críticos de veículos estrangeiros.

Ao contrário de Pitt, Javier Bardem, por ser um gigante de atuação, consegue entregar muito mais nuances ao seu personagem, mesmo que não precisasse de tanto, já que Ruben é um personagem de suporte que não se aprofunda tanto em sua história pessoal, mas no pouco que sabemos dele, Javier Bardem rouba a cena com seu alívio cômico. Já Damson Idris, que já teve alguns papéis grandes em filmes dramáticos menores, consegue ser um ótimo contraponto para a atuação de Brad Pitt, por trazer uma atuação mais enérgica e conseguir inclusive em alguns momentos elevar a atuação do próprio Brad Pitt, sendo um companheiro de cena excelente. Já a sua atuação em si é consistente, dando a impressão que não houve espaço o suficiente para explorar outros lados do personagem para trazer uma atuação mais desafiadora, mas sendo um bom ator, Idris conseguiu dar vida ao jovem Joshua com maestria.
Outro ponto altíssimo do filme é a trilha sonora, composta pelo lendário Hans Zimmer, que já trabalhou com Kosinski em Top Gun: Maverick, e está muito acostumado em compor para épicos, como foi em seus trabalhos mais recentes com Duna. Zimmer cria uma atmosfera épica nos momentos de ação de um jeito super elegante e requintado, mas sem deixar de transmitir o perigo e tensão nos momentos certos, tudo isso misturado com músicas atuais que trazem também a contemporaneidade da obra, um contraste interessante por exemplo com o último trabalho dessa parceria Zimmer e Kosinski, que preservou a estética oitentista do filme na trilha sonora, contribuindo com a imersão na história que é uma sequência direta do clássico de 1986. Mas em F1, por mais que também houvesse um apelo de rivalidade entre os pilotos com suas diferenças geracionais, isso não precisou ser transmitido na trilha sonora, já que as músicas, com artistas como Doja Cat, Ed Sheeran, Tate McRae e Madison Beer, ilustram bem o contexto glamouroso da vida de pilotos da fórmula 1, enquanto a trilha mais clássica de Zimmer, ajuda a mostrar que ambos os pilotos estão conectados pela mesma paixão.

F1 é uma experiência eletrizante como nenhuma outra, fazendo valer muito a pena assistí-lo no IMAX. Gravado com tecnologias inovadoras para a área, o longa abraça clichês do gênero de ação, com um roteiro padrão de um time que busca a superação, mas com uma capacidade técnica espetacular. O diretor Joseph Kosinski está começando a ter sua marca registrada nos seus filmes, e nesse novo projeto ele consegue se superar, entregando o seu melhor trabalho até então. O trabalho que se deu desde a escolha do elenco, onde o diretor separou Brad Pitt a dedo para dar vida ao Sonny, mas também a partir das escolhas ousadas de sua direção, até finalmente com a trilha sonora de Hans Zimmer, que é uma viagem por si só, levando quem assiste a uma verdadeira imersão no universo da Fórmula 1, sejam fãs de longa data ou leigos. Mesmo sem precisar reinventar a roda em termos narrativos, F1 de fato promete agradar fãs das corridas e até mesmo criar novos fãs a partir de uma obra, sem sombra de dúvidas, muito bem executada.