Análise | Sea of Thieves

Nota
5

Sea of Thieves, lançado oficialmente em 20 de março de 2018 para Xbox e Windows, trouxe a proposta de unir um jogo em mundo aberto, multijogador com cooperativo e PVP, com a experiência do jogador fazer parte do universo pirata, ou seja, explorar ilhas, lutar contra monstros marinhos, caçar tesouros, roubar tesouros, e perder tesouros… E foi assim que o jogo conquistou mais de 1 milhão de jogadores em apenas dois dias de lançamento. Embora outros jogos AAA, como Assassins Creed IV: Black Flag, também tragam a narrativa de pirataria, a não linearidade no jogo se destaca no quesito de atração de público, oferecendo técnicas, ferramentas e principalmente liberdade ao jogador.

“A CRIAÇÃO DO NOVO MAR”

O jogo foi desenvolvido pela Rare Limited e publicado pela Xbox Game Studios num cenário onde haviam poucas possibilidades de bons jogos de piratas, sendo esse um dos fatores do seu sucesso, e mesmo diante de jogos atuais como Skull and Bones, Sea of thieves ainda se destaca em quesito de variabilidade na gameplay, e ainda bate de frente com seus gráficos, utilizando Unreal Engine 4. O jogo traz elementos cartunescos de alta qualidade, proporcionando efeitos de iluminação, física do jogo e partículas bastante definidos.

Mesmo com a Engine 4 sendo de 2014 e com a possibilidade da atualização para Unreal Engine 5, o jogo tem um excelente desempenho gráfico, e permite a construção de um cenário totalmente imersivo. O movimento da água, que é de suma importância, é realmente um dos grandes destaques in game, mas para além da água, névoas volumosas, natureza vibrante, transições de iluminação, tudo isso contribui para o player sentir a aventura pelas telas, e com o crossplay permitindo a interação entre duas plataformas, o jogo roda muito bem em ambos, quebrando a expectativa de performance subestimada.

O jogador não vai sentir engasgos durante o andamento do jogo, mesmo nas situações mais caóticas de combate. Apesar do jogo parecer ser tranquilo com mecânicas simples, a navegação é bastante complexa e utiliza de física para mover e ancorar os barcos, com o jogador controlando a abertura das velas e o timão, além de ter que desbravar o oceano e descobrir as ilhas certas onde estão os tesouros, e se você der o azar, não vai bastar apenas cavar os baús de tesouros, puzzles e câmaras escondidas farão parte dos desafios, armadilha, tubarões, erupção vulcânica, raios, incêndios… além dos monstros tentando matar você é claro…

“PARECE ATÉ LOROTA”

Os melhores segredos são guardados a sete chaves, e apesar do Sea of Thieves não possuir um enredo principal, as lorotas vão guiar o jogador para as campanhas que o jogo possui. Há uma grande quantidade de histórias a serem seguidas, que são bastante estruturadas e frequentemente atualizadas, trazendo personagens únicos e eventos, algumas trazem puzzles simples ou complexos, outras trazem batalhas contra uma horda de inimigos ou fortes cercados de monstros, e às vezes trazem todos esses elementos. As grandes lorotas trazem histórias mais complexas e profundas, e eventos mais especiais para quem gosta de mergulhar em lores e afins, mas há a possibilidade de missões mais curtas e simples dentro do jogo.

Durante a jornada, a liberdade é um sentimento constante, a variabilidade de cenários permitindo o encontro de ilhas com climas diversos, desertos, ilhas pantanosas, florestas, cada uma com sua tipicidade, provocam a sensação de se explorar várias partes do mundo, além de variações climáticas e fatores geológicos, como tempestades e raios, erupções vulcânicas, incrementam essa experiência. As navegações, além de levar você a essas ilhas simples, também farão você atracar em ilhas amaldiçoadas, e ruínas subaquáticas que lhe farão submergir completamente na aventura, acompanhadas de trilhas sonoras características, com instrumentos específicos.

O calmo som do mar vai te acompanhar em muitas partes do jogo, mas assim que as águas se agitarem, os tambores, flautas e concertinas também entrarão em ação. Inspirada por temas celtas, marítimos e folclóricos, a trilha sonora surge em momentos cruciais, sendo bem construída e abraçando a cena do jogo, batalhas e monstros surgem com músicas épicas, acompanhados dos efeitos sonoros e sons dinâmicos do jogo que alimentam essa imersão. Mas além desses momentos de ação, a música também proporciona um ar mais tranquilo, permitindo ao jogador aproveitar a viagem e até mesmo se divertir tocando seus próprios instrumentos no jogo com os amigos.

“O GIGANTE DOS SETE MARES”

O jogo é essencialmente sandbox, permitindo a exploração livre, oferecendo uma grande variedade de missões, em adição a isso atividades paralelas como comércio com facções e conteúdos relacionados, enriquecem ainda mais a experiência, proporcionando não só a caça ao tesouro, mas interação de alianças ou conflitos com outros piratas, tanto das histórias como de jogadores inimigos. Situações aleatórias também ocorrem para promover uma movimentação mais intensa no jogo, como o surgimento de Megalodons e Krakens, navios fantasmas, incentivando a navegação constante e opções de combate.

A Rare não possui o serviço de DLCs pagas, o que é uma vantagem para os jogadores, permitindo uma base de jogadores consolidada e uma comunidade unida. Em vez de DLCs, a empresa adiciona expansões gratuitas com elementos atrativos, promovendo ainda mais a adesão de novos jogadores. Uma das maiores atualizações já feitas no jogo introduziram o Capitão Jack Sparrow e o Davy Jones, que conquistou muitos novos piratas tanto pelos elementos inéditos e icônicos, como pela qualidade cinematográfica do jogo.

Até hoje, Sea of Thieves é o jogo imbatível dos sete mares, com sua proposta inovadora e já consolidado no cenário, é sustentado não só pela experiência única de se tornar um pirata, mas também pela liberdade em que o jogador usufrui de seguir o seu próprio caminho, ou melhor, sua onda. A comunidade receptiva é um dos pilares desse jogo, pois as aventuras compartilhadas criam momentos memoráveis, que se tornam histórias para além do jogo, e une os jogadores.

Streamer e Criador de conteúdo nas horas vagas, ama gatos, sorvete e escuta todo tipo de musica... Ou quase. Estudante de Bacharelado em Gastronomia e aspirante a Mago, não só dos games, mas também da cozinha.

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