Análise | Mario Kart World

Nota
4

Mundo aberto, 24 pilotos, pistas interligadas… A palavra “expectativa” definiu a espera por Mario Kart World. Porém, após um mês de jogatina, alguns defeitos do jogo estão mais aparentes, tal como a falta de algumas funcionalidades no online e péssimas decisões em updates recentes. Por um lado, o jogo é, sim, divertido e mantém a essência caótica de Mario Kart, com itens voando pra todo lado e pneu cantando no asfalto. Mas por outro, algumas promessas se perderam no caminho. Era de se esperar um mundo aberto mais rico que justificasse a precificação de 500 reais, mas foi entregue espaços mais vazios do que necessário enquanto se testa o modo livre. Ou seja, a empolgação inicial logo deu espaço a uma sensação de “poxa, poderia ser algo mais”.

COMPARAÇÃO COM MK8

Logo de cara você vai sentir a diferença no clima do jogo. Mario Kart 8 Deluxe beirava à perfeição do gênero, e o World chegou tentando inovar: e conseguiu. O game design é impressionante na forma que tudo parece amarradinho. Mas MK8 tinha aquele esquema gostoso de três voltas em cada pista fechada. Aqui, por vezes, a gente pega estrada entre circuitos (o que é até legal no início). Mas por um lado, os trechos de transição são longos demais e por outro há momentos em que tudo o que se deseja é três voltas comuns numa pista, que a Nintendo fez o favor de dificultar em um patch de atualização que aumentava a chance de cair pistas interligadas nas sessões online e desagradou uma parcela gigante da comunidade. No fim das contas, MK8 ainda segue superior devido à imensa quantidade de pistas, mas é algo que Mario Kart World irá alcançar eventualmente. Mas tem uma coisinha que pega no World de um jeito inesperado: O gamechat. Algo tão simples, mas que dá uma animosidade diferente para simplesmente ligar o console e já entrar num bate-papo em poucos cliques. Interação facilitada realmente dá um Q a mais pra abrir o jogo sem ter que fazer malabarismo pra ouvir o colega enquanto joga. Essa mão na roda do Switch 2 gerou pontos extras para o Kart da vez.

Fica difícil dizer se a responsabilidade pela falta de elementos realmente relevantes na exploração recai sobre a Nintendo ou sobre expectativas mal calibradas. Talvez a intenção fosse surpreender, especialmente considerando o valor cobrado. Inicialmente, dirigir pelo mundo aberto é agradável e permite testar algumas ideias com calma. No entanto, o que o modo oferece se resume a desafios de tempo e algumas moedas especiais, que rendem apenas adesivos para os karts — isso mesmo, adesivos. Não há recompensas significativas pela exploração. A sensação é semelhante à de abrir um chiclete barato e encontrar uma figurinha de qualidade duvidosa. Os itens mais atrativos, como cosméticos e desbloqueio de personagens, são obtidos rapidamente. Como resultado, muitas áreas acabam parecendo cenários vazios, sem atrativos relevantes. Embora seja possível relaxar dirigindo livremente, a funcionalidade, vendida como a principal novidade, não entrega o suficiente. Dito isso, é hora de deixar a negatividade de lado e focar no que realmente faz valer a pena retornar ao jogo.

DESTAQUE AO MODO KNOCKOUT (ELIMINATÓRIA)

Esse sim foi o ponto forte total. Desde o lançamento, não tem nada mais divertido que se provar e testar coisas nesse modo. É um caos glorioso. Cada checkpoint é uma satisfação – Knockout Tour trouxe adrenalina que não existe em uma copa padrão de quatro pistas. É onde o jogo mostra o que faz de melhor. Apesar do tempo ter passado, ele continua divertido. Mas o jogo realmente te motiva a voltar mais vezes? Após semanas jogando, o que faz voltar? Pra ser honesto, são duas coisas principais: a experiência multiplayer incomparável de um console Nintendo e a experimentação dos novos atalhos. Em resumo, o jogo ainda diverte quando você quer brincar com alguém ou testar suas habilidades.

Mas é claro que vários fatores desanimam a respeito do jogo. Primeiro, o preço pesou no bolso — não é barato, e o conteúdo extra não compensa. A expectativa é que, em futuras atualizações, sejam incluídas no pacote do Switch Online, assim como foi a expansão do Mario Kart 8. Outra coisa que desmotiva é a repetição, após fazer todas as corridas e missões, não tem muita coisa nova pipocando. Tem ainda a questão de que Mario Kart 8 Deluxe segue firme como o rei que não se abala; dar uma volta nas pistas da forma clássica não é uma coisa que seja facil abrir mão só pelo fator das pistas interligadas, mas a experiência acaba transmitindo uma sensação de obrigatoriedade na maior parte das sessões de jogo. Vale a pena comprar depois de um mês de hype? Mario Kart World é divertido, mas fica aquele gostinho de que ainda tem espaço pra melhoria.

Apaixonado por indies, entusiasta de RPG's, assíduo neste universo desde os anos 90 e amante da temática retrô. Professor, Advogado, e de tudo um pouco, me arriscando como redator sobre videogames com foco em análises críticas e tendências da indústria.

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