Crítica | O Chamado 3 (Rings)

Nota
2.5

Julia é uma jovem universitária que descobre que seu namorado Holt se envolveu em um misterioso experimento conduzido por um professor de ciências que estuda a fita de Samara. Temendo pela vida do rapaz, ela decide investigar e, no processo, assiste ao vídeo amaldiçoado, tornando-se a próxima vítima da maldição. A partir daí, Julia mergulha em uma corrida contra o tempo para desvendar as origens da entidade e compreender como quebrar o ciclo mortal. Paralelamente, descobre a existência de um grupo secreto de pessoas que tenta decifrar e replicar a maldição para controlá-la, criando uma espécie de “corrente” de espectadores que mantém Samara temporariamente afastada. O conceito de digitalização e backups do vídeo traz um potencial inicial interessante, aproximando o mito de um contexto moderno, mas as reviravoltas mal construídas e as soluções fáceis minam rapidamente qualquer tensão genuína. O que poderia ser um suspense envolvente se transforma em um thriller previsível e pouco assustador.

O terror japonês Ringu (1998) e sua versão americana O Chamado (2002) consolidaram um novo paradigma no gênero, com uma estética marcante e a figura de Samara como ícone do medo. Quinze anos após o primeiro longa americano, O Chamado 3 (Rings), lançado em 2017 e dirigido por F. Javier Gutiérrez, tenta ressuscitar a franquia apostando em uma narrativa que mistura a mitologia já conhecida com novos elementos tecnológicos e uma ambientação atualizada para a era dos smartphones, arquivos digitais e redes sociais. A proposta oficial era expandir a maldição para um contexto moderno, trazendo uma leitura contemporânea dos medos coletivos, mas o resultado final não vai além de um derivado genérico. Uma das falhas mais evidentes é que o roteiro ignora acontecimentos centrais dos filmes anteriores e introduz expansões na mitologia que contradizem verdades já estabelecidas, prejudicando a coerência do universo. Em vez de revitalizar o mito de Samara, o filme se mostra mais interessado em repetir fórmulas desgastadas e acrescentar informações que pouco acrescentam à mitologia. Assim, a tentativa de atualização não consegue dialogar com o charme sombrio e enigmático dos filmes anteriores.

Visualmente, O Chamado 3 procura atualizar a estética sombria que marcou os capítulos anteriores, mas a execução deixa a desejar. A fotografia, com tons mais claros e uso frequente de efeitos digitais, aproxima-se mais de um thriller juvenil do que de um terror atmosférico. Os momentos em que Samara deveria causar impacto parecem artificiais, resultado de computação gráfica exagerada que retira o aspecto analógico e incômodo das aparições originais. Essa escolha estética acaba enfraquecendo a tensão e prejudica a sensação de ameaça constante que definia a saga. O elenco, liderado por Matilda Lutz, demonstra empenho, mas não consegue superar a superficialidade dos personagens nem a previsibilidade do roteiro. As interações entre Julia e Holt carecem de química convincente, enquanto os coadjuvantes parecem figuras descartáveis. Sem uma construção cuidadosa de suspense e sem cenas memoráveis, o filme passa a impressão de um produto apressado, incapaz de provocar verdadeiro medo no público, mesmo com uma premissa conhecida.

No clímax, as revelações surgem de maneira apressada e confusa, tentando oferecer respostas à mitologia, mas acabam desmontando a lógica interna da narrativa. Em vez de ampliar o mistério, essas explicações artificiais evidenciam a falta de cuidado do roteiro e transformam o desfecho em algo raso e desnecessário. A expansão da mitologia de Samara se mostra desnecessária, transformando a maldição em um amontoado de conveniências e reduzindo a força do mistério original. Em vez de aprofundar o terror psicológico, o roteiro aposta em explicações forçadas e soluções rápidas que quebram o ritmo e diluem o impacto emocional. Ao final, O Chamado 3 deixa a sensação de um capítulo esquecível, que tenta modernizar um ícone do terror sem compreender o que o tornava assustador. O resultado é um filme que não assusta, não emociona e não acrescenta nada relevante à franquia, servindo apenas como uma curiosidade para fãs completistas.

 

Sonhador nato desde pequeno, Designer Gráfico por formação e sempre empenhado em salvar o reino de Hyrule. Produtor de Eventos e CEO da Host Geek, vem lutando ano após ano para trazer a sua terra toda a experiência geek que ela merece.

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