Crítica | Teen Beach 2

Nota
3

“Quer ver o filme mais bacana que já foi feito?”

Três meses se passaram desde que Mack e Brady voltaram ao mundo real, após terem sido transportados para dentro de Onda, Sublime Onda. Com a volta às aulas se aproximando, Brady começa a temer que o relacionamento deles mude na escola, já que sempre fizeram parte de grupos completamente opostos. Em meio a essa fase turbulenta, os dois precisam tomar decisões sobre o futuro: Mack está determinada a seguir carreira em biologia marinha, enquanto Brady permanece perdido, sem interesse além do surfe. Para complicar ainda mais, no universo do filme Leila passa a questionar seu destino ao lado de Tanner, mostrando o quanto conhecer Mack e Brady transformou sua forma de pensar. Decidida a mudar sua história, ela foge para o oceano, seguida por Tanner, atravessando o portal que os leva diretamente para o mundo real. Agora, Mack e Brady, que já enfrentavam desafios pessoais, precisam convencer Leila e Tanner — deslumbrados com as novidades do mundo moderno — de que a realidade nem sempre é tão boa quanto parece.

Lançado em 2015 como produção original do Disney Channel, Teen Beach 2 é dirigido por Jeffrey Hornaday, o mesmo responsável pelo primeiro filme, e marca o retorno de Ross Lynch e Maia Mitchell como Brady e Mack. A sequência chega dois anos após o sucesso de Teen Beach Movie (2013), que se tornou um dos maiores fenômenos musicais do canal desde High School Musical. Além do casal protagonista, o longa também traz de volta Grace Phipps e Garrett Clayton nos papéis de Leila e Tanner, agora com maior destaque, já que a trama expande o impacto que Mack e Brady tiveram dentro do universo fictício de “Onda, Sublime Onda”. Com músicas inéditas, coreografias ainda mais elaboradas e um apelo visual colorido e retrô, a produção aposta em um tom mais adolescente, explorando questões de identidade, escolhas pessoais e choque de realidades, tentando manter o carisma do primeiro filme ao mesmo tempo em que amplia sua mitologia.

Como sequência, Teen Beach 2 carrega o peso de ser o primeiro filme do Disney Channel a ganhar continuação desde Camp Rock 2: The Final Jam em 2010, o que por si só já cria expectativas sobre inovação e qualidade. O longa acerta ao ampliar o universo construído no primeiro filme, trazendo Leila e Tanner para o centro da história e mostrando como eles reagem ao mundo real. Essa inversão de papéis — personagens fictícios entrando na realidade — funciona como um espelho das inseguranças de Mack e Brady, que agora precisam lidar com dilemas mais palpáveis do que os do filme anterior. A produção ainda demonstra cuidado na manutenção da estética retrô e no investimento em números musicais bem coreografados, reforçando o charme que conquistou o público em 2013. No entanto, esse salto de ambição também expõe as limitações do roteiro, que em alguns momentos se torna repetitivo e menos espontâneo do que no original.

Apesar da proposta interessante, um dos aspectos que mais chama a atenção negativamente em Teen Beach 2 é a forma como Mack e Brady são retratados logo no início. O filme apresenta uma personalidade completamente nova para os protagonistas, como se ambos sempre tivessem sido opostos em termos de objetivos e visões de mundo — um recurso claramente conveniente para sustentar o enredo que gira em torno de diferenças e escolhas futuras. Essa abordagem destoa do primeiro filme, onde, apesar de divergirem sobre Onda, Sublime Onda — Brady era apaixonado pelo filme e Mack o achava entediante —, os dois eram mostrados como mentalmente semelhantes, cúmplices e bem alinhados. Essa mudança brusca enfraquece a coerência dos personagens e faz com que o conflito principal pareça mais imposto pelo roteiro do que fruto natural da evolução deles. Por outro lado, a produção mantém um cuidado visível com a estética, os figurinos e os números musicais coreografados com energia, elementos que reforçam a identidade visual vibrante do longa e ajudam a sustentar o apelo do universo que conquistou o público no primeiro filme.

No fim, Teen Beach 2 se mostra uma continuação ambiciosa que busca expandir um universo querido pelo público, mas tropeça em alguns aspectos do roteiro e na coerência dos personagens. Ao mesmo tempo em que apresenta ideias interessantes, como o deslocamento de Leila e Tanner para o mundo real e a reflexão sobre identidade e escolhas, o filme força conflitos e mudanças de personalidade que nem sempre parecem naturais. Ainda assim, não se pode ignorar o investimento técnico: números musicais empolgantes, coreografias mais ousadas, figurinos vibrantes e uma fotografia que mantém o clima retrô e ensolarado. O resultado é um produto que combina nostalgia e novidade, com altos e baixos, mas que consegue divertir e encantar seu público-alvo. Para quem apreciou o primeiro filme, Teen Beach 2 funciona como uma sequência divertida e colorida.

 

Sonhador nato desde pequeno, Designer Gráfico por formação e sempre empenhado em salvar o reino de Hyrule. Produtor de Eventos e CEO da Host Geek, vem lutando ano após ano para trazer a sua terra toda a experiência geek que ela merece.

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