Review | Once Upon a Time in Wonderland [Season 1]

Nota
3

Alice, uma jovem marcada por suas aventuras no País das Maravilhas, vive agora em uma Londres vitoriana, mas sua história não terminou. Considerada insana, ela é internada em um asilo, onde corre o risco de ter suas memórias apagadas. No entanto, sua maior motivação permanece viva: reencontrar Cyrus, o gênio por quem se apaixonou durante suas viagens mágicas. Para isso, Alice conta com a ajuda de Will Scarlet, mais conhecido como Valete de Copas, e do sempre apressado Coelho Branco, que a guiam de volta ao mundo fantástico que parecia perdido. Ao longo do caminho, ela enfrenta não apenas criaturas e enigmas típicos do País das Maravilhas, mas também uma trama complexa que envolve a Rainha Vermelha e Jafar, que têm interesses próprios e não hesitam em manipular a magia a seu favor. Entre confrontos, alianças inesperadas e reviravoltas, a série constrói um cenário em que romance, aventura e fantasia se entrelaçam de maneira contínua.

Ambientada no mesmo universo de Once Upon a Time, Once Upon a Time in Wonderland é um spin-off que leva o espectador para uma nova leitura do clássico País das Maravilhas. A série mantém o tom de fantasia, mas com um ritmo mais acelerado e voltado para aventuras episódicas, explorando um lado mais sombrio e complexo do mundo que Alice conhece. A produção busca equilibrar elementos familiares, como personagens icônicos e cenários reconhecíveis, com novas camadas de mitologia, incluindo a presença de Jafar e a política interna do Reino das Maravilhas. Apesar da proposta ambiciosa, o roteiro por vezes parece fragmentado, dando a impressão de que muitas tramas secundárias competem pela atenção do espectador sem se desenvolverem plenamente. Ao mesmo tempo, o elenco, liderado por Sophie Lowe como Alice, esforça-se para transmitir emoções consistentes, especialmente no romance entre Alice e Cyrus, que é o fio condutor da história. A série, portanto, se destaca pela imaginação do seu universo, mas tropeça na coesão narrativa.

O ritmo de Once Upon a Time in Wonderland é desigual ao longo da temporada, alternando momentos de grande ação com trechos que parecem apenas preencher episódios sem acrescentar muito à história principal. Alguns personagens, especialmente figuras secundárias, recebem pouco desenvolvimento, tornando suas decisões e atitudes difíceis de compreender. Alice e Cyrus carregam boa parte da narrativa, mas mesmo eles têm momentos em que suas ações soam convenientes demais para impulsionar a trama. Apesar disso, a série acerta ao explorar o contraste entre os personagens do País das Maravilhas e a realidade de Londres vitoriana, oferecendo situações que misturam perigo, humor e romance de forma atraente. A construção dos vilões, principalmente Jafar e a Rainha Vermelha, apresenta boas intenções dramáticas, mas nem sempre resulta em ameaças convincentes, o que reduz a tensão de algumas cenas. No geral, a série mantém interesse, mas poderia ter aproveitado melhor seu potencial dramático e fantasioso.

Once Upon a Time in Wonderland entrega uma experiência que agrada pelo imaginário e pela fantasia, mas sofre com inconsistências no ritmo e no desenvolvimento de personagens. A série consegue criar momentos divertidos e envolventes, especialmente ao explorar o romance entre Alice e Cyrus e as interações com figuras clássicas do País das Maravilhas. No entanto, algumas tramas secundárias são pouco aproveitadas, tornando certos episódios menos impactantes e prejudicando a coesão geral da narrativa. Apesar de suas falhas, o visual colorido, os efeitos de fantasia e a ambientação vitoriana contribuem para manter o interesse do espectador ao longo da temporada. Once Upon a Time in Wonderland funciona melhor para quem já é fã do universo de Once Upon a Time e aprecia adaptações de contos clássicos com um toque mais sombrio e fantasioso. A série se mostra mediana, entretendo, mas sem atingir grande consistência ou profundidade.

 

Sonhador nato desde pequeno, Designer Gráfico por formação e sempre empenhado em salvar o reino de Hyrule. Produtor de Eventos e CEO da Host Geek, vem lutando ano após ano para trazer a sua terra toda a experiência geek que ela merece.

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