Resenha | O Dom

Nota
2

“Você falhou ao tentar capturar Wisteria Allgood, e falhar não é opção neste Admirável Mundo Novo.”

Whit e Wisty Allgood continuam a batalha contra os poderes autoritários d’O Único Que É O Único, mas agora carregam perdas profundas: Margô e Célia, o grande amor de Whit, não está mais entre eles, e os pais parecem ter sido mortos pela repressão. Em busca de alívio e motivação para seguir com a resistência, os irmãos vão a um concerto de rock organizado pela Resistência, um momento pensado para reunir forças e renovar a esperança. Lá, Wisty cruza com um jovem roqueiro cuja presença sugere a possibilidade de alegria ou até um novo amor em meio à aflição que tomam conta da cidade. Contudo, as pequenas alegrias se mostram perigosas, porque as reviravoltas costumam vir em forma de ameaças que colocam a vida dos Allgood em risco. Enquanto tentam seguir em frente, O Único intensifica sua perseguição, usando poderosas manifestações de gelo e neve para tentar subjugar ou eliminar Wisty, transformando a fantasia numa ferramenta brutal de controle.

O ritmo de O Dom segue a fórmula rápida de James Patterson, com capítulos curtos e cenas que privilegiam movimento e sensação imediata de perigo. Essa agilidade garante momentos de tensão eficazes, especialmente nas sequências de ação e nas perseguições, mas há uma clara sensação de que o autor se perdeu no controle do próprio universo. No livro anterior, algumas falhas podiam ser ignoradas diante da energia da trama, mas aqui elas se acumulam a ponto de distrair o leitor. O enredo parece correr sem direção, apostando em reviravoltas fáceis e soluções forçadas que reduzem o impacto emocional. O texto continua acessível e dinâmico, mas a falta de foco e coerência enfraquece o envolvimento. A narrativa tenta repetir a intensidade do primeiro volume, porém sem a mesma coesão, o que transforma a leitura em um exercício de paciência em vez de uma imersão empolgante.

“A Nova Ordem está em processo de destruir quase todo livro conhecido na Superfície ocupada que foi escrito antes da tomada de poder.”

Os protagonistas continuam sustentando boa parte do interesse da história. Whit e Wisty são carismáticos e têm química o suficiente para conduzir a narrativa, e em certos momentos parece que a trama finalmente encontra um rumo, especialmente no meio do livro, quando há sinais de avanço e propósito. No entanto, essas promessas se desfazem rapidamente, fazendo com que tudo volte à estaca zero. A sensação é de estagnação, como se os personagens estivessem presos em um ciclo de tentativas frustradas. Mesmo com potencial para evoluir emocionalmente e narrativamente, o desenvolvimento dos irmãos é interrompido por mudanças bruscas e um roteiro que não sabe ao certo para onde quer ir. Isso acaba desgastando o leitor e enfraquecendo o impacto das poucas boas ideias apresentadas.

A narrativa de O Dom sofre com um ritmo acelerado demais e transições confusas, especialmente no início e no final do livro, onde os acontecimentos parecem atropelados e mal conectados. Esse desequilíbrio prejudica a compreensão da história e quebra o envolvimento que o leitor tenta manter. Além disso, o romance de Wisty é tratado de forma superficial e previsível, surgindo mais como um artifício de enredo do que como uma relação construída de maneira natural. Mesmo com algumas passagens de emoção genuína, o resultado é uma leitura irregular, que oscila entre bons momentos e longos trechos dispersos. O livro transmite a sensação de que poderia ter sido muito mais sólido se houvesse cuidado com a organização da trama e desenvolvimento dos personagens. Por esses motivos, a leitura se torna frustrante, deixando a impressão de que a saga perdeu parte do fôlego e da força que o primeiro volume apresentava.

“Sabe aqueles telões que vemos nas ruas na parte deles da Superfície? Eles funcionam como câmeras também. Se você está assistindo a um desses programas de notícias, é bem capaz que ele esteja vendo você também.”

 

Ficha Técnica
 

Livro 2 – Witch & Wizards

Nome: O Dom

Autor: James Patterson e Ned Rust

Editora: Novo Conceito

Skoob

Sonhador nato desde pequeno, Designer Gráfico por formação e sempre empenhado em salvar o reino de Hyrule. Produtor de Eventos e CEO da Host Geek, vem lutando ano após ano para trazer a sua terra toda a experiência geek que ela merece.

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