Review | Crime Scene [S3 – The Texas Killing Fields]

Nota
4.5

“Tenho 75 anos e não queria fazer isso todo dia, mas farei… Até meu último suspiro, vou tentar descobrir quem matou minha filha”

Em 10 de setembro de 1984, Laura Miller, uma garota de 16 anos, foi com a mãe até um orelhão localizado a cerca de 800 metros de sua nova casa em League City. Queria ligar para o namorado e convidá-lo para um churrasco que aconteceria naquela tarde. Depois disso, sua mãe seguiu para o trabalho e Laura começou a caminhar de volta para casa, um trajeto que jamais completaria. Quando os Millers tentaram denunciar o desaparecimento da filha à polícia, foram ignorados. Eles ainda não sabiam que Laura seria apenas mais uma entre dezenas de jovens raptadas e mortas nas proximidades da movimentada rodovia I-45, especialmente no trecho entre Houston e Galveston. Os Campos de Calder, popularmente conhecidos como Campos de Matança do Texas (Texas Killing Fields), tornaram-se o local perfeito para ocultar corpos, e talvez por isso mais de duas dúzias de ossadas tenham sido encontradas ali, vítimas de um único assassino ou de muitos.

Lançada em 29 de novembro de 2022, Crime Scene: The Texas Killing Fields é a terceira parte da série documental Crime Scene, desta vez dirigida por Jessica Dimmock, mas mantendo o mesmo pulso investigativo de Joe Berlinger. Se em The Times Square Killer Berlinger transforma a Rua 42 em personagem, Dimmock faz o mesmo com os Campos de Calder. Como uma boa docussérie, o show destaca pessoas que tiveram suas vidas marcadas pelos crimes ocorridos em Killing Fields, entre elas Tim Miller, fundador da Texas EquuSearch, grupo que busca pessoas desaparecidas a cavalo. A organização nasceu após o desaparecimento de Laura, filha de Tim, e carrega até hoje o eco de uma busca pessoal. O público conhece ainda Richard Rennison, agente supervisor do FBI em Texas City, que iniciou a carreira na polícia de League City, e Kathryn Casey, autora de Deliver Us, obra que reúne três décadas de assassinatos e desaparecimentos ao longo da I-45.

“Cinco anos depois, um quarto corpo foi encontrado no mesmo terreno”

A série começa sem acanhamento com “Nobody Sees Anything”, episódio que já choca ao narrar o momento em que um cachorro encontrou um crânio em 1984, revelando a primeira ossada. Pouco depois, um grupo de garotos em bicicletas descobriu uma segunda, a poucos metros dali, em 1986. A partir disso, a polícia teve a chance de investigar o local e acabou encontrando um terceiro esqueleto dias depois, e muitos outros nos anos seguintes. O episódio não termina sem antes nos apresentar o desaparecimento de Laura e nos devastar com a gravação do pai de Heide Fye, jovem de 24 anos desaparecida em 7 de outubro de 1983, que morava a pouco mais de uma quadra de distância. Sua história se entrelaça com a de outros nomes, como Ellen Beason, Clyde Hedrick, Robert Abel, Laura Smither, Kelli Cox, Jessica Cain, Sandra Sapaugh, Bill Reece e onze jovens de 13 a 21 anos desaparecidas entre 1971 e 1977.

Com três episódios de aproximadamente cinquenta minutos cada, Crime Scene: The Texas Killing Fields mantém a tradição da franquia ao equilibrar o peso das tragédias com uma condução jornalística envolvente. O público parece ter reconhecido essa força: a produção foi classificada como a melhor série documental da Netflix, acumulando impressionantes 23.880.000 horas assistidas. Além do sucesso, a obra também reacendeu debates nas redes sociais, com uma enxurrada de publicações no X (antigo Twitter) criticando a atuação da polícia local. A negligência e a falta de preparo das autoridades, evidentes ao longo da narrativa, não apenas comprometeram a investigação, mas também permitiram que provas cruciais se perdessem para sempre. Ao transformar dor em denúncia, Jessica Dimmock entrega uma minissérie que vai além da reconstrução de um caso: ela confronta a ineficácia institucional e dá voz às vítimas que por décadas permaneceram em silêncio.

“Papai, nos vemos amanhã.”

 

Sonhador nato desde pequeno, Designer Gráfico por formação e sempre empenhado em salvar o reino de Hyrule. Produtor de Eventos e CEO da Host Geek, vem lutando ano após ano para trazer a sua terra toda a experiência geek que ela merece.

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