Crítica | Wicked: Parte 2 (Wicked: For Good)

Nota
4.5

Exilada de Oz, Elphaba (Cynthia Erivo) agora decidiu que vai assumir a persona da Bruxa Má do Oeste que o povo de Oz tanto teme, pelo menos até arrumar uma forma de desmascarar de uma vez o Mágico de Oz (Jeff Goldblum) de todas as atrocidades que ele vem cometendo ao longo dos anos. Enquanto isso, Galinda (Ariana Grande) agora vive a vida dos sonhos sendo Glinda, A Boa, que leva esperança ao povo de Oz com sua persona simpática e carismática, e claro por estar com seu casamento marcado com seu noivo, o mais novo líder da guarda de Oz, Fiyero (Jonathan Bailey). Mas mesmo com tudo dando certo, Glinda sente que algo está errado, especialmente pela falta que sua amiga Elphaba faz na sua vida. E é justo nesse momento que o reencontro das duas vai de fato definir que tudo mudou de fato em cada uma delas. Dirigido por Jon M. Chu, Wicked: For Good encerra a jornada épica que conquistou o mundo em sua primeira parte, seguindo agora os eventos que levam a história original do clássico O Mágico de Oz.

Apesar do sucesso de crítica e público que foi Wicked (2024), o público e a crítica não recebeu bem a parte 2 do clássico da Broadway adaptado para o cinema. Mesmo que as expectativas estivessem altíssimas para a parte dois da saga, a escolha de transformar um filme em dois ainda é muito inteligente da parte do diretor Jon M. Chu, por dar realmente um foco maior na primeira parte, que normalmente é o ato mais querido pelos fãs do musical. Quando estreou na Broadway em 2003, Wicked recebeu diversas críticas negativas pelo seu segundo ato mais morno, ainda mais após o que muitos consideram o melhor encerramento de primeiro ato da história da Broadway, com “Defying Gravity”, mas que mesmo assim não abalou os ganhos de 1 milhão de dólares por semana nas bilheterias da peça. Ainda assim, muitos teorizam que Wicked possa ter perdido o Tony Award de melhor musical em 2004 para Avenue Q por conta do seu segundo ato mais morno, e com um enredo menos trabalhado e desenvolvido. Apesar de toda essa história, agora em 2025, Jon M. Chu consegue o improvável que é alavancar o enredo de um segundo ato morno e transformá-lo em uma boa conclusão para os fãs do musical original. 

Em entrevistas, Cynthia Erivo comenta sobre como Wicked: For Good tem uma mudança enorme nas personalidades e atitudes das bruxas principais, e essas diferenças são muito bem notadas ao longo do novo filme. A maior mudança sem dúvida está na performance de Ariana Grande, que nos trás desde o início uma Glinda hiper melancólica, mesmo vivendo o que deveria ser seus momentos mais felizes. A falta que a Elphaba faz para Glinda é muito bem colocada nos mínimos detalhes pela atuação de Ariana, que está vivendo uma Glinda mais madura sim, porém muito mais séria por conta de toda a repressão que ela vive para ser um exemplo para a sociedade, além da manipulação que ela sofre de Madame Morrible, brilhantemente vivida pela Michelle Yeoh, e que tem uma dinâmica boa com Ariana desde o primeiro filme que explica muito bem o medo que a Glinda sente de sua mentora. Já Cynthia Erivo por sua vez, segue uma crescente desde o primeiro filme, os sentimentos de Elphaba estão cada vez mais fortes e suas motivações cada vez mais maduras à medida que ela cresceu, uma atuação consistente com a personagem e que auxilia ainda mais a nos dar uma visão melhor de quem é a Elphaba e quem ela vem se tornando, trazendo um melhor desenvolvimento para sua personagem do que foi no musical.

As performances musicais permanecem impecáveis, com um destaque para “No Good Deed”, performada por Cynthia Erivo, que é uma das melhores performances dos dois filmes, além de, claro, o tão esperado “For Good”, que reúne as duas bruxas em sua despedida, numa versão emocionante de Cynthia e Ariana, e que foi muito bem interpretada pelas duas. O segundo ato de Wicked inclusive reúne muito menos músicas do que o seu primeiro ato, o que já seria um desafio imenso para o diretor de encaixar todas as músicas necessárias, e por isso há diversas reprises das músicas do primeiro filme com versões mais condizentes para os momentos atuais. No entanto, Jon M. Chu ousou em adicionar mais duas músicas nessa nova versão, sendo uma para Elphaba e outra para Glinda, que acabam tendo efeitos distintos. 

A nova música de Elphaba, “No Place Like Home”, é super bem vinda para o contexto do filme, sendo uma música ao mesmo tempo que emocionante, também serve para estabelecer ainda mais a conexão de Elphaba com seus ideais, enquanto “The Girl in the Bubble”, de Glinda, parece uma música feita de última hora, sem o mesmo apelo emocional que “No Place Like Home”, mas que corrobora com a interpretação melancólica de Ariana Grande durante todo o filme, mesmo assim, é uma música completamente dispensável. “The Wicked Witch of the East” também era uma música muito esperada pelos fãs do musical, que foi muito bem executada pela Marissa Bode e Cynthia Erivo, e que foi uma música que trouxe controvérsias já pelo trailer, já que ao invés de fazer Nessa andar, Elphaba a faz voar nessa versão, até porque a atriz Marissa Bode é de fato cadeirante para trazer mais uma representatividade durante o filme, e que foi uma solução muito bem colocada durante essa nova versão.

Wicked: For Good não apenas continua seu antecessor como também reinventa. Jon M. Chu escolhe da melhor forma o que adaptar para essa segunda fase, sem precisar seguir duramente o material original que já era considerado morno, adaptando com um olhar mais cuidadoso para suas protagonistas, exaltando todos os elementos que fazem essa história ser tão adorada. O primeiro filme nos faz “desafiar a gravidade”, enquanto sua parte dois nos convida a aceitar que precisamos pisar em terra firme, e aceitar que às vezes nem sempre a solução que acreditamos ser a melhor é aquela que deve ser contada. Outro take que engrandece essa parte dois são as leves referências ao livro de Wicked, escrito em 1995, que são retratados na trama de forma sutil mas que se distanciam das peças originais da Broadway trazendo uma maior personalidade para a dupla de filmes. Wicked: For Good nos mostra que mesmo com tanta magia disponível, o feitiço mais poderoso é o laço entre duas pessoas, que independente das adversidades continuam se amando.

 

Ilustradora, Designer de Moda, Criadora de conteúdo e Drag Queen.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *