Crítica | Marty Supreme

Nota
3.5

Marty (Timothée Chalamet) é um promissor jogador de tênis de mesa que sonha em conseguir viver apenas como atleta, mas o seu excesso de confiança pode acabar sendo sua ruína. Trabalhando como vendedor de sapatos para seu tio, Marty tem uma vida bem pacata sem grandes acontecimentos. Entre cuidar de sua mãe e ter uma relação escondida com sua amiga de infância, Rachel (Odessa A’zion), nos fundos da loja de sapatos, o jogador tem planos grandes de vencer o campeonato da década de 50, e quando ele chega na final em Londres, hospedado na melhor suíte do hotel londrino, ele vai conhecer Kay Stone (Gwyneth Paltrow), uma atriz dos anos 30 que está com sua carreira falida sendo sustentada por um grande empresário do ramo de papelaria, e ao se encantar pela atriz, ele vai tentar de tudo para conquistá-la, mas com o interesse de subir ainda mais na sua carreira. Dirigido por Josh Safdie, Marty Supreme é um dos grandes destaques nessa campanha de premiações de 2026, com os holofotes inteiros voltados para a performance de Timothée Chalamet. 

Com uma vasta carreira com seu irmão, Benny Safdie, Josh se aventura agora em um trabalho solo, assim como foi com Benny que lançou seu primeiro filme solo, Coração de Lutador (2025). Benny se mostrou contido, demonstrando sua inexperiência na direção solo em forma das decisões inseguras que ele toma durante o seu longa por não ter uma identidade própria como diretor completamente formada, enquanto Josh Safdie se mostra completamente seguro da sua identidade enquanto diretor. A direção de Marty Supreme acaba sendo o seu maior atributo, por dar um direcionamento ao espectador o tempo inteiro sem que tenhamos tempo para respirar, o que para muitos filmes pode ser um problema, mas para Safdie é uma forma de contar uma história tão caótica que apenas faz sentido.

A construção do personagem do Marty também é muito bem pensada, ao contrário de outras biografias de pessoas reais que constroem seus protagonistas seguindo um padrão de jornada do herói, Marty é construído a partir de um olhar de anti-herói, já que Marty não é um personagem feito para ser gostado logo de cara, visto seu olhar manipulador para as pessoas afeta não só seu relacionamento com todos a sua volta como também o olhar do público para com ele. Essa relação de Marty com as pessoas a sua volta também afeta o desenvolvimento dos outros personagens, que mal acontecem, mas que não acaba sendo um ponto negativo, já que isso também é um reflexo da importância que ele dá para aqueles que o rodeiam. Muitas narrativas às vezes recaem em estereótipos negativos quando colocam certos personagens apenas nesse local de suporte do protagonista, mas nesse caso a ajuda que os personagens secundários oferecem para o Marty prova também que esse não-aprofundamento desses personagens servem muito mais como uma visão para o público de como Marty enxerga todos os seus amigos e aliados do que é necessariamente um juízo de valor para o roteiro do filme.

A grande estrela do filme, Timothée Chalamet, tem uma performance extremamente consistente. Após o fiasco que foi a sua performance em A Complete Unknown (2025), que não elevou a sua atuação de forma alguma no ano passado mesmo tendo sido indicado e levado prêmios por isso, o que acaba dando essa impressão que a sua atuação agora em Marty Supreme seja uma performance muito melhor para sua carreira, que de fato é uma ótima evolução do ano passado para cá, mas que nem se comparam com o nível de atuação que ele entregou em outros trabalhos, como em Duna: Parte 2 (2024), por exemplo. Mas ainda assim, Timothée acaba se mostrando um ator de fato versátil por entregar uma comédia que não não tínhamos visto ele ainda fazer, apesar do seu esforço em outros filmes no passado, essa é a sua performance de fato mais cômica que lembra bastante a performance de Di Caprio, seu concorrente de premiações neste ano, por sua performance em One Battle After Another (2025). O que surpreende o destaque para o Timothée nessa temporada, visto que nem o seu personagem se torna único nessa jornada de campanhas, mostrando o interesse da indústria de presenteá-lo com um Oscar o mais rápido possível, mesmo que ainda não seja o momento dele. 

Marty Supreme confirma a ambição de Josh Safdie ao tentar fugir do óbvio numa biografia, mas para enfim acabar recaindo nas mesmas fórmulas batidas do gênero. Tentando ao tempo todo fugir do óbvio em seu primeiro filme solo, Safdie, não consegue fugir das obviedades das biografias por repetir as mesmas fórmulas já consolidadas para esse tipo de filme, especialmente quando chegamos na conclusão do filme, que embora possa ter tido uma conclusão que possa ter sido melhor explicada, isso não ficou tão nítido no resultado final, trazendo uma resolução fácil e preguiçosa para um filme com tanto potencial. Mas no decorrer do longa, em geral, a direção é extremamente consistente e um ponto crucial para manter o interesse do público no filme com o seu dinamismo e certeza das intenções para lidar com o roteiro. Mas claro que Marty Supreme foi um filme feito para expor mais versatilidade na atuação de Timothée Chalamet, com esse olhar fixo no seu Oscar em 2026 que pode vir, mas que ainda não está certo nesse começo de temporada. O novo longa de Safdie é o maior rival de Wagner Moura na disputa para o Oscar de Melhor Ator, que será entregue em março de 2026.

 

Ilustradora, Designer de Moda, Criadora de conteúdo e Drag Queen.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *