Crítica | Destruição Final 2 (Greenland 2: Migration)

Nota
3.5

Destruição Final 2 acompanha a família Garrity após as tragédias ocorridas em Destruição Final: O Último Refúgio. Assim, John (Gerard Butler), sua esposa Allison (Morena Baccarin) e o filho do casal Nathan (Roger Dale Floyd) fogem do bunker em que estavam na Groelândia em busca de uma terra melhor para habitarem, já que as condições de onde viviam vão ficando cada vez piores. A obra não foge do padrão genérico de ações sobre o fim do mundo, no entanto, traz reflexões bastante palpáveis, as quais dialogam muito com a realidade em que vivemos.

Destruição Final 2 não carrega um grande roteiro, nem mesmo fotografia, ou atuação. Tudo no filme é parecido com o que já foi visto em diversas outras obras que abordam um cenário apocalíptico de “fim do mundo”. O diretor Ric Roman Waugh, que segue uma filmografia de obras nessa mesma pegada de cenários de catástrofes e sobrevivência, não foge do seu padrão. Desde o cenário, ao figurino e efeitos visuais, nada parece querer soar como “extraordinário”. Existe uma estética distópica que infelizmente não se destaca de forma alguma, nem mesmo em questão de autenticidade, tornando Destruição Final 2 um filme que pode deixar uma marca muito mais através de algumas mensagens e interpretações, do que sua execução em si.

Apesar do filme não inovar em questão de originalidade, consegue conectar o espectador através de suas reflexões. Existem alguns elementos bastante interessantes, que tornam a obra mais relevante narrativamente. De início, os personagens demonstram felicidade e leveza, apesar do contexto extremamente pesado e precário de sobrevivência em que estão inseridos, ao dançarem e confraternizarem entre si. O filme traz um enfoque muito bonito nas relações, e como os vínculos familiares e as amizades funcionam enquanto pilares imprescindíveis em um momento tão difícil e vulnerável para toda a população. Logo, a união e parceria da família Garrity e de outros personagens com eles é muito bonita de se ver. Inclusive, quando são acolhidos na Europa pelo Denis Laurent, e, a pedido dele, levam sua filha Camille para uma terra em que haja possibilidade de vida e futuro.

Além disso, existe uma discussão bastante importante que é apenas mostrada no fime, de maneira que faz o espectador refletir, dialogando bastante com o panorama em que a humanidade sempre viveu, e o que foi observado até mesmo na pandemia: como mesmo com o fim do mundo, os recursos estando escassos, e as condições de vida cada vez mais precárias, o ser humano continua sendo egocêntrico e iniciando guerras. Quando a população deveria se unir por uma única causa, ainda existe segregação, ainda existe disputa e egoísmo em todo lugar, a todo momento, em qualquer contexto.

Portanto, Destruição Final 2 é um filme que segue todos os clichês dos famosos filmes de distopia, não se destacando através de nenhum recurso estético, estílistico ou técnico. É notório que existe uma potencialidade que poderia ter sido muito mais explorada, tornando essa sequência uma obra de mais relevância. É perceptível que existem mensagens importantes ali, que podem ser interpretadas facilmente, no entanto, Destruição Final 2 deixa a sensação de que só fizeram o básico, não se propuseram a ir além. Por conseguinte, para o desenvolvimento de um assunto tão recente, debatido em tantos filmes e livros, era necessário mais profundidade e aprimoramento em todos os âmbitos: desse o roteiro à direção de arte.

 

Estudante de cinema, pernambucana

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