Nota
A Supergiant Games, estúdio por trás do aclamado Hades, retorna ao gênero roguelike com Hades II, sequência direta que chega ao Nintendo Switch 2 após período de acesso antecipado no PC e Steam Deck. O jogo promete repetir a fórmula que consagrou o primeiro título: combate ágil, narrativa fragmentada e progressão a cada morte. O lançamento levanta a pergunta que paira entre os fãs: será que a magia acontece de novo ou vamos sentir falta do carismático Zagreus? É nesse cenário que começamos a explorar as novidades, mudanças e sensações trazidas pela nova aventura no Submundo.
GAMEPLAY RECICLADA QUE NÃO CAIU NA MESMICE

Deixamos o “Zag” de lado para assumir o controle da Melinoë, a irmã dele. A personalidade dela é outra e as novas armas são completamente diferentes do primeiro título, criando um vínculo renovado com a história. Na prática, a premissa é a mesma: entrar, bater, morrer, voltar mais forte. A genialidade está em como mexeram nos detalhes.
A Melinoë tem um foco maior em magias, o que de início já causa uma diferenciação básica. E como quem vem do primeiro jogo já sabe mais ou menos o que esperar de cada Deus, até os favoritos voltam a aparecer. Essa dinâmica continua intacta e até um pouco mais variada. A curva de dificuldade inicial parece um pouco mais gentil, mas ao mesmo tempo já se esperava ver mais do que “mais do mesmo” nessa dinâmica de upgrades.
O INFERNO CONTINUA UMA CASA QUENTINHA
A Supergiant deu um jeito de manter aquela mesma receitinha, mas com umas decorações novas. O resto você provavelmente já conhece: cada volta no ciclo, um diálogo novo, um conselho ali, um Deus novo aqui… é uma narrativa que praticamente te recompensa por morrer. O novo título da Supergiant não tenta ser revolucionário só por ser. Ele pega a base sólida do primeiro e aprimora.

Sabe aquela sensação gostosa de casa? Você tem ela aqui. Quem jogou o primeiro vai pegar o ritmo na hora, mas não vai achar que é uma DLC disfarçada de jogo novo. Não dá aquela sensação de “por mais arroz no prato pra compensar que tem pouca carne”, entende? É como se tivessem reformado a cozinha, colocado uns móveis novos… é um cheirinho de novo que não desagrada, mas ainda é a mesma casa de sempre.
AS SUJEIRAS NO MUNDO INFERIOR
A natureza repetitiva do gênero ainda pode soar negativa. Diálogos bacanas e personagens interessantes podem cansar: ninguém aguenta cinquenta caixas de diálogo por run. Chega um momento que você só passa tudo para jogar, sem conversar com o mesmo personagem pela vigésima vez. Às vezes, a narrativa empaca um pouco se a sorte nas runs não for das melhores, e isso faz parte do jogo. Além disso, as bênçãos dos deuses são, em grande parte, muito idênticas às do primeiro, o que tira um pouco da graça da experimentação.
No Switch 2, porém, o jogo ganha um charme extra: O jogo ser portátil faz TOTAL diferença. A possibilidade de levar o Submundo no bolso combina perfeitamente com o estilo “só mais uma run”. Jogar no modo portátil antes de dormir vira uma sessão rápida e divertida, a conveniência do portátil é um divisor de águas.

Hades II é uma das poucas sequências que entende perfeitamente o que fez o original brilhar. Ela não reinventa a roda, refina. Traz personagens novos, um combate familiar e novo ao mesmo tempo e uma história tão envolvente quanto a primeira. No Switch 2, torna-se uma excelente opção para aproveitar o potencial do console híbrido. Melinoë e o Switch 2 formam uma combinação e tanto.
Rios
Apaixonado por indies, entusiasta de RPG's, assíduo neste universo desde os anos 90 e amante da temática retrô. Professor, Advogado, e de tudo um pouco, me arriscando como redator sobre videogames com foco em análises críticas e tendências da indústria.