Creepygeek | O perigo estava no meu espelho!

Hoje a história é rápida, mas dá aquele frio na espinha. Preste atenção no seu quarto, porque às vezes as coisas mais assustadoras não estão onde você espera. Um simples reflexo pode se tornar algo completamente inesperado, e o silêncio que parece seguro pode esconder presenças que você nem imagina. Então, antes de continuar, dê uma olhadinha ao redor… tem algum espelho perto de você?


 

Cheguei em casa tarde, com o corpo pedindo descanso e a mente arrastando os restos de um dia que parecia não ter fim. Larguei a mochila no sofá, nem liguei as luzes, e segui direto para o banheiro. A água quente caiu sobre minha pele como um alívio imediato, dissolvendo o peso da rotina por alguns instantes. Mas mesmo entre o vapor e o som constante do chuveiro, algo destoava. Eram batidas. Pequenas, rítmicas, quase discretas. No início, achei que fossem ecos do encanamento, mas percebi que vinham de outro lugar. Não dei atenção, até me lembrar de um detalhe simples: eu morava no décimo segundo andar. E, por mais que o vento pudesse estar balançando as árvores, não havia como uma delas bater na janela daquele andar. Fiquei parado, escutando, tentando identificar a origem do som. As batidas cessaram de repente, como se tivessem percebido que eu as ouvia. Desliguei o chuveiro. O silêncio pareceu mais pesado do que antes, quase sólido. Tive a sensação de que o ar do banheiro ficou mais frio, como se algo tivesse entrado comigo ali. Respirei fundo, fechei a porta e fui dormir, tentando convencer minha mente cansada de que era apenas coincidência.

Fui então dormir, convencido de que o cansaço estava me pregando peças. Mas despertei no meio da madrugada com o coração acelerado, o quarto mergulhado em penumbra. O relógio digital piscava 3h14, um horário que nunca traz boas notícias. As batidas haviam voltado, vindas de algum ponto que eu não conseguia localizar. Tinham o mesmo ritmo de antes, mas mais insistentes, como se algo tentasse chamar minha atenção. A cada som, o ar parecia vibrar, e a sensação de presença se tornava quase palpável. Tentei ignorar, fechei os olhos e me forcei a dormir. O som continuava, se afastava, voltava, pulsava nas paredes como um segundo coração dentro do apartamento. Senti o suor frio escorrer pela nuca. O barulho parou por alguns segundos, e o silêncio que veio depois foi pior. Só quando o cansaço venceu o medo, consegui apagar novamente, torcendo para que o amanhecer lavasse aquele ruído da memória. Tive um sono turbulento, como se estivesse cheio de pesadelos, mas não lembro exatamente o que sonhei, e na manhã seguinte, apesar de acordar exausto, respirei fundo e segui minha semana normalmente, sem esperar que alguns dias depois o pesadelo voltaria.

Na sexta, cheguei tarde, exausto e levemente embriagado. A happy hour tinha sido divertida, mas o caminho de volta parecia mais longo do que nunca, e cada passo soava como um eco dentro da minha cabeça. Liguei o chuveiro, deixei a água correr por tempo demais, só para adiar o inevitável. O reflexo embaçado no box quase me pareceu sorrir antes de desaparecer junto com o vapor. Saí do banho, fui para a cama, liguei a TV. A luz azulada tomou o quarto, desenhando sombras nas paredes. Por um instante, a rotina me abraçou de novo. Então elas começaram. As batidas, inconfundíveis, sincronizadas com minha respiração. O som parecia saber quando eu inspirava. A irritação venceu o medo. Levantei de um salto, percorri cada janela, cada canto. Abri portas, fechei cortinas, verifiquei o corredor. Nada. Nem vento, nem eco, nem razão. O apartamento parecia zombar do meu nervosismo, devolvendo-me o silêncio como resposta.

Deitei de novo, tentando me convencer de que era minha imaginação. As batidas cessaram como se o apartamento tivesse me ouvido. Quase consegui acreditar que estava tudo bem, até que voltaram. Mais fortes, mais próximas, ritmadas como uma respiração pesada. Foi nesse instante que percebi o erro. Eu havia olhado todas as janelas, todas as portas, mas faltou um lugar. Levantei o olhar devagar, sentindo o ar ficar mais denso. Até que achei de onde as batidas vinham, da superfície fria e brilhante a frente da minha cama, o espelho onde o reflexo não seguia meus movimentos. O som vinha de dentro do vidro, como se algo, ou alguém, estivesse do outro lado. Batendo. Esperando. O reflexo pareceu piscar antes de mim. Jurei ter visto o vapor se mover por trás do espelho, e quando o silêncio voltou, percebi que não estava mais sozinho no quarto.

Sonhador nato desde pequeno, Designer Gráfico por formação e sempre empenhado em salvar o reino de Hyrule. Produtor de Eventos e CEO da Host Geek, vem lutando ano após ano para trazer a sua terra toda a experiência geek que ela merece.

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