Se você acha que Pokémon é só cores vibrantes e aventuras fofas, prepare-se: nem todo cartucho da franquia é seguro. Entre as lendas e creepypastas que circulam pela internet, uma das mais intrigantes é a do Pokémon Black Version, também conhecido como Pokémon Creepy Black. Antes que você confunda com os títulos oficiais Black/White, esta história fala de um cartucho que ninguém sabe ao certo se é amaldiçoado ou apenas uma versão hack muito bem feita, e mergulhar nos detalhes que fizeram dele uma das lendas mais perturbadoras entre fãs da série.
Essa é uma história que circula há muito tempo em fóruns da internet, e até hoje ninguém sabe quem foi o autor original, nem se o jogo citado é realmente uma versão amaldiçoada ou apenas um hack muito elaborado de Pokémon Red, Green ou Blue. Segundo o relato, o protagonista era um colecionador de jogos modificados da série Pokémon, e naquela época não era incomum encontrar cartuchos alterados em lojas populares ou vendas de garagem. Ele contou que já havia jogado títulos como Pokémon Diamond & Jade, Chaos Black e outros, mas sua vida mudou completamente ao encontrar um cartucho do qual nunca tinha ouvido falar em um mercado de pulgas no centro de sua cidade. O cartucho era totalmente preto, com a logo em cinza, e parecia quase chamá-lo para pegá-lo. A versão acabou sendo batizada pelos fóruns como Pokémon Black Version e, com o lançamento de Pokémon Black e White, passou a ser mais conhecida como Pokémon Creepy Black. Ao iniciar o jogo, tudo parecia igual a Pokémon RGB, com os já familiares Nidorino e Gengar, mas, diferente das outras versões, Red aparecia sozinho, sem um Pokémon ao seu lado. Logo depois, surgia a inscrição “Black Version” abaixo do logotipo de Pokémon, reforçando a sensação de algo estranho e desconhecido.

O jogo começou a ficar realmente estranho quando chegou a hora de escolher o Pokémon inicial. Ao invés de apenas Bulbasaur, Charmander ou Squirtle, uma quarta opção aparecia: “Ghost”. Ao selecioná-lo, o jogador recebia um Pokémon nível 1 cujo sprite lembrava os fantasmas da Pokémon Tower em Lavender Town. Ele possuía apenas um ataque, Curse (Amaldiçoar), um movimento que originalmente só existia a partir da segunda geração. Seguindo o jogo normalmente, o autor percebeu que os outros Pokémon pareciam aterrorizados pelo Ghost. Eles ficavam paralisados automaticamente e surgia a mensagem “Este Pokémon está muito assustado para se mover”. Quando Curse era usado, a tela se tornava instantaneamente preta, um som de choro ecoava e ao retornar o Pokémon não estava mais lá, seguido do aviso de vitória. Se a batalha fosse contra um treinador, depois da tela preta aparecia apenas uma Pokébola a menos na barra. Mais estranho ainda, quando a batalha terminava, a janela de batalha reaparecia sem nenhum Pokémon, mostrando apenas as opções de atacar ou fugir. Caso o jogador usasse Curse novamente, ele era transportado de volta para o mapa e o treinador havia desaparecido. Depois de explorar o local mais uma vez, percebeu que onde antes havia um desafiante agora havia apenas uma tumba, semelhante às de Lavender Town, reforçando a sensação de que o cartucho carregava algo verdadeiramente sinistro.
O autor continuou o jogo, mesmo sem entender muito bem o objetivo, até derrotar a Elite Four. Foi então que percebeu que o Hall da Fama estava composto apenas pelos Pokémon que ele havia coletado e por Ghost. Logo depois, a tela ficou preta novamente e surgiu a frase “Muitos anos depois…”. O jogo retornou ao mapa em Lavender Tower, mas agora o jogador era um idoso, se movendo com metade da velocidade de antes, de frente para algumas lápides. A Pokédex estava vazia, sem nenhum Pokémon, nem mesmo Ghost, e o mapa estava deserto, sem NPCs. Nas tumbas apareciam os nomes dos treinadores contra os quais ele havia usado Curse ao longo do jogo. Sem saber o que fazer, decidiu voltar para o início, em Pallet Town. Ao entrar na casa de Red, a tela ficou preta novamente e Ghost apareceu, mas sua imagem estava em glitch, alternando entre diversos Pokémon. Só depois ele percebeu que eram os mesmos Pokémon contra os quais havia usado Curse. Ao sair da casa, a tela escureceu novamente e surgiu uma batalha: de um lado, o homem que ensinava a capturar Pokémon em Viridian City, do outro Ghost; o velho era ele mesmo, e a mensagem dizia “Ghost deseja lutar”. Sem itens, Pokémon ou qualquer forma de fuga, ele só podia atacar. O único ataque disponível era Struggle, que não foi efetivo. Ghost então usou Curse e a tela ficou preta pela última vez. Depois disso, nada acontecia, e a única opção era desligar o Game Boy. Ao abrir o jogo novamente, apenas “NEW GAME” aparecia, como se todo o progresso tivesse sido deletado. Mesmo tentando jogar de novo, o jogo sempre levava ao mesmo final, tornando impossível remover Ghost da party.

O autor contou que o jogo era extremamente bem feito para uma versão hack, e que acabou perdendo o cartucho quando voltava de uma viagem de férias, talvez esquecido em um hotel. Algumas versões, no entanto, afirmam que a história seria mentira. Em outro fórum, pessoas perguntaram qual era o hotel, e alguém que dizia ser o autor relatou que começou a ter pesadelos após jogar pela última vez. Nos sonhos, ele ouvia sons vindos do seu quarto, e ao entrar, o Game Boy estava com a luz acesa. Quando se aproximava, o aparelho apagava, mas logo surgiam duas luzes vermelhas na tela, seguidas da mensagem “GHOST curses you”. Os pesadelos aconteciam quase todas as noites, e o jogador começou a adoecer, convencido de que havia sido realmente amaldiçoado pelo cartucho. Para se livrar da maldição, ele vendeu o jogo em uma feira de forma discreta, fingindo que era apenas um hack qualquer, sem mencionar os detalhes sinistros. Depois da venda, os pesadelos pararam e ele acordou curado, concluindo que tinha passado a suposta maldição adiante. Há relatos de que o cartucho já apareceu à venda no eBay, mas será que alguém teria coragem de comprá-lo? Se você decidir buscar ou testar algo semelhante, lembre-se: é totalmente por sua conta e risco, pois a linha entre mito e realidade nesse jogo é tão tênue quanto assustadora.
Icaro Augusto
Sonhador nato desde pequeno, Designer Gráfico por formação e sempre empenhado em salvar o reino de Hyrule. Produtor de Eventos e CEO da Host Geek, vem lutando ano após ano para trazer a sua terra toda a experiência geek que ela merece.