Crítica | A Entidade 2 (Sinister 2)

Nota
2.5


Courtney Wheeler-Collins
, uma mãe solteira, foge de um marido abusivo ao lado dos filhos gêmeos, Dylan e Zach, buscando refúgio em uma casa isolada no interior. O que parece um recomeço logo se transforma em um pesadelo, já que o local carrega um passado sombrio: ali aconteceu o massacre da família Oswalt. Enquanto tentam reconstruir suas vidas, Courtney e os meninos começam a notar acontecimentos estranhos, ruídos inexplicáveis e a presença de fitas caseiras perturbadoras que documentam crimes hediondos. Aos poucos, Dylan e Zach passam a ter pesadelos cada vez mais vívidos e comportamentos que sugerem estarem sob influência de algo sobrenatural. A mãe, desesperada para manter a sanidade e proteger os filhos, percebe que a casa não é apenas mal-assombrada, mas um ponto de convergência de um ciclo antigo e mortal. À medida que os fenômenos se intensificam, torna-se evidente que Bughuul, a entidade responsável pelas mortes anteriores, está prestes a consumi-los completamente.

A Entidade 2 (2015) foi anunciado em março de 2013, com o retorno dos roteiristas Scott Derrickson e C. Robert Cargill, mas dessa vez com Ciarán Foy na direção. O longa tenta expandir a mitologia apresentada no original, mantendo a estética de horror documental por meio das fitas que se tornaram marca registrada da franquia. A presença do investigador interpretado por James Ransone, agora como protagonista, busca oferecer uma nova perspectiva sobre a luta contra Bughuul, enquanto a narrativa desloca o foco para a relação entre mãe e filhos e para os traumas domésticos. Apesar dessa proposta de mudança, o filme ainda aposta fortemente nos mesmos artifícios visuais e sonoros do antecessor, o que cria um misto de familiaridade e repetição. O resultado técnico mostra um cuidado com fotografia e montagem, mas deixa transparecer limitações na direção e no ritmo.

Em termos narrativos, a sequência tenta se aprofundar nas consequências psicológicas das fitas e no poder corruptor de Bughuul, mostrando como o ciclo de assassinatos se perpetua. Entretanto, a sensação é de que falta impacto real. As cenas de “snuff films” ainda chocam pela violência implícita, mas já não surpreendem como no primeiro longa. A escolha de dividir o protagonismo entre a família e o ex-policial poderia ter rendido uma trama mais densa, mas acaba diluindo o suspense e deixando personagens centrais subdesenvolvidos. Mesmo com um novo diretor, há dificuldade em construir momentos de tensão genuína, os jumpscares surgem previsíveis e o mistério sobre o funcionamento da entidade não avança tanto quanto promete, gerando frustração para quem esperava respostas mais consistentes.

No campo técnico, há méritos a se reconhecer. A fotografia mantém tons sombrios e texturas granuladas que reforçam o clima de mal-estar, e a trilha sonora, composta por Christopher Young, continua apostando em sons dissonantes e ruídos inquietantes para intensificar o terror. Porém, a direção de Ciarán Foy não alcança a mesma precisão rítmica que Derrickson tinha no primeiro filme, resultando em uma narrativa com altos e baixos. Além disso, os efeitos visuais de Bughuul, mais frequentes e explícitos aqui, acabam tirando parte do mistério e tornando a criatura menos ameaçadora. O design de som das fitas, um dos destaques do original, permanece eficiente, mas perde impacto justamente por repetir a mesma fórmula sem grandes inovações.

No fim, A Entidade 2 se revela uma continuação que tenta expandir o universo de Bughuul e atualizar a estrutura familiar do terror, mas não consegue replicar o frescor e a tensão do primeiro longa. A trama tem bons momentos, especialmente quando foca nos traumas domésticos e no terror psicológico dos gêmeos, mas tropeça ao insistir em explicações apressadas e sustos previsíveis. Como sequência, é competente o suficiente para manter a atmosfera sombria, mas insuficiente para se destacar dentro do gênero. Traz uma proposta irregular, mas ainda possui pontos interessantes para fãs do original.

 

Sonhador nato desde pequeno, Designer Gráfico por formação e sempre empenhado em salvar o reino de Hyrule. Produtor de Eventos e CEO da Host Geek, vem lutando ano após ano para trazer a sua terra toda a experiência geek que ela merece.

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