Crítica | A Morte Lhe Cai Bem (Death Becomes Her)

Nota
4

Helen Sharp (Goldie Hawn), uma aspirante a escritora, tem seu noivo, Dr. Ernest Menville (Bruce Willis), roubado por Madeline Ashton (Meryl Streep), uma famosa atriz egocêntrica, o que a leva a um hospital psiquiátrico, com sede de vingança, pobre e com a vida destruida. Quatorze anos depois, Helen retorna mais jovem, mais bela, mais sedutora, o que faz com que Madeline, que se tornou sua rival e amiga (frenemie), morra de inveja e, por recomendação de Helen, tome uma poção da juventude que proporciona resultados inimagináveis.

Dirigido por Robert Zemeckis, o longa apresenta aquele humor e ritmo já particular ao diretor, que lhe garantiu aclamação com Forrest Gump, dessa vez somado ao glamour hollywoodiano, usando as divas do cinema para abordar um drama sobre o envelhecimento e a busca por procedimentos estéticos, mesma proposta que voltou com tudo recentemente com a chegada de A Substância.  Com figurinos muito bem trabalhados na busca pela sedução, a produção aposta em vermelhos fortes, plumas, roxo, opulência, figurinos apostando no preto, o que também remete ao halloween. Outra decisão criativa importante para a proposta do filme é deixar quase todos os personagens masculinos em segundo plano, exceto pelo famoso cirurgião plástico interpretado por Bruce Willis, que contribui com a atmosfera de comédia e leveza que permite que Goldie e Meryl possam brilhar.

O longa trata com muita comédia a rivalidade feminina, alimentando essa disputa através da busca por plástica, juventude eterna e o conceito de morte, sempre garantindo que uma mistura inteligente de comédia com terror, já que a forma como as personagens se mutilam e nunca morrem funcionam como principal forma de humor do enredo, com cada ‘morte’ ganhando um take diferente e seguido de uma reaparição que nos prende e assusta aos outros personagens. Outro destaque é a personagem de Isabella Rossellini, Lisle von Rhuman, que surge no auge de sua beleza para trazer a magia e o mistério que temperam o roteiro do filme. Enquanto o filme incentiva seu espectador a tentar descobrir o que aconteceu com Helen, que mudou drasticamente, nos faz acompanhar Madeline desesperada pela juventude de todas as formas, com tratamentos abusivos e sendo uma péssima pessoa para todos a sua volta, deixando claro que Helen está seguindo seu plano de vingança, primeiro recuperando Ernest e depois matando Madeline.

Marcante por seus figurinos e efeitos práticos, A Morte Lhe Cai Bem discute questões relevantes até os dias de hoje, como envelhecimento e fama, mantendo seu estilo requintado, que garante um saudosismo e um ar de cult. Com cenas icônicas como as da autopsia, da fonte, do funeral ou do castelo da Lisle, o filme diverte e encanta ao mesmo tempo que desperta a curiosidade do público de imaginar onde toda loucura levará a trama. Não é a toa que, com tão belos efeitos, atrizes, looks e narrativa, o longa tenha se tornado uma grande referência de halloween e na cultura pop, ao ponto de surgir como uma referência no clipe de Taste, de Sabrina Carpenter.

 

Formado em cinema de animação, faço ilustrações, sou gamer, viciado em reality shows, cultura pop, séries e cinema, principalmente terror/horror

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