Nota
“Olá Matêmores, bem-vindos ao canal da sua professora de matemática preferida!”
Clara é professora de matemática, mãe de uma adolescente, divorciada e influenciadora educacional cheia de vida, sempre buscando compartilhar conhecimento e inspiração com quem a acompanha. Sua vida parecia cuidadosamente planejada, marcada pelo controle e pela disciplina, com um jeito sarcástico de lidar com os percalços do dia a dia. No entanto, um diagnóstico de câncer de mama coloca tudo em xeque, desafiando sua percepção de mundo e obrigando-a a encarar a fragilidade e a imprevisibilidade da vida. De repente, as certezas que a guiavam se tornam instáveis, e Clara precisa aprender a se apoiar não apenas em si mesma, mas também na filha adolescente, na mãe e em amizades antigas e recém-descobertas. Ao enfrentar a doença, ela se vê obrigada a questionar vaidades, crenças e relações, descobrindo a força interior e a coragem necessárias para atravessar um momento que transforma profundamente sua existência.

Livremente inspirado em uma história real — junto com milhares de outros relatos igualmente verídicos —, Câncer com Ascendente em Virgem é uma adaptação do livro Estou com câncer, e daí?, escrito por Clélia Bessa em 2008, durante o tratamento que a curou de um câncer de mama. A obra reúne textos publicados no blog da autora, narrando memórias que, apesar de duras, celebram o amor, a amizade, a rede de apoio e, acima de tudo, a vida. É a partir desses textos que nasceu Clara. Clélia Bessa também é produtora do longa, dirigido por sua sócia na Raccord Produções, Rosane Svartman, com roteiro desenvolvido em parceria com Suzana Pires, que também protagoniza a obra. Segundo Bessa, o filme é um esforço para “tirar o câncer do armário, trazer ele para a sala de jantar”, desmitificando uma doença que atinge cerca de 73 mil mulheres por ano. Como ela mesma afirma: “quando uma mulher tem câncer de mama, não é só ela que tem câncer de mama, é a família inteira que adoece”.
Talvez o filme não seja uma mega produção que envolve, diverte e ensina grandes lições, mas fica claro a todo momento que ele conta uma história tão real que se torna familiar a qualquer espectador: todos já passaram ou passarão pelo câncer em algum momento da vida — seja pessoalmente, seja por meio de um familiar ou alguém próximo. É justamente isso que mais toca no decorrer do filme: cada cena é intensa e crua, equilibrada com momentos de comédia, sem perder o trilho da realidade. A direção de Svartman se mostra precisa a todo instante, conduzindo o enredo aos extremos e expondo cada dor e insegurança de Clara — ou, talvez, da versão ficcional de Clélia.

Suzana Pires se destaca de forma impressionante, despindo-se completamente do seu verdadeiro eu para habitar o papel, enfrentando de peito aberto cada desafio que uma mulher atravessa durante o tratamento. Sua entrega inclui raspar cabelo e sobrancelhas, momentos que emocionam e resgatam memórias para quem já passou por isso. O elenco de apoio também brilha: Marieta Severo interpreta Leda, a mãe esotérica e desconstruída de Clara, enquanto Nathália Costa vive Alice, a filha adolescente que enfrenta sua fase rebelde e precisa lidar com o turbilhão da doença materna. Apesar de não serem o foco central, ambas se destacam sem ofuscar Suzana. No entanto, quem realmente rouba a cena é Fabiana Karla, como Dircinha, uma simples vendedora de artesanato cuja história intensa, descontraída e devastadora toca profundamente o coração do público.
Câncer com Ascendente em Virgem é um filme que emociona ao mostrar, sem filtros, os altos e baixos da vida diante de uma doença tão impactante. Clara vive dias difíceis, repletos de dor, incertezas e desafios, mas também momentos de leveza, humor e conexão afetiva que equilibram a narrativa. Ao longo do filme, ela encontra coragem e resiliência, aprendendo a valorizar cada instante, reconstruir relacionamentos e descobrir um novo sentido para a própria vida. A atuação intensa de Suzana Pires, aliada à direção precisa de Rosane Svartman e à história sensível de Clélia Bessa, transforma a experiência em um retrato íntimo e universal de superação, humanidade e amor. Um longa que dialoga com qualquer pessoa que já tenha enfrentado ou testemunhado o câncer, deixando uma mensagem de força e esperança.
“O contrário de morte não é vida, é nascimento. Vida é o que tem no meio.”
Icaro Augusto
Sonhador nato desde pequeno, Designer Gráfico por formação e sempre empenhado em salvar o reino de Hyrule. Produtor de Eventos e CEO da Host Geek, vem lutando ano após ano para trazer a sua terra toda a experiência geek que ela merece.