Crítica | Constantine

Nota
5

John Constantine se vê envolvido em um mistério relacionado à lendária Lança do Destino, artefato religioso sagrado utilizado pelo centurião Longino para perfurar o corpo de Cristo, quando cruza o caminho de Angela Dodson, uma detetive da polícia de Los Angeles que investiga a misteriosa morte de sua irmã gêmea. Juntos, John e Angela unem forças para desvendar o caso. As regras desse universo são interessantes e, ao mesmo tempo, são quebradas pelos personagens de forma criativa. O ritmo do filme é bem cadenciado, deixando que tudo aconteça em seu devido tempo.

Algumas adaptações de histórias em quadrinhos podem surpreender tanto para melhor quanto para pior, e Constantine é um exemplo que, na época, não agradou a muitos. Infelizmente, a obra não recebeu a atenção merecida em 2005, mas vem sendo cada vez mais valorizada nos últimos anos, sendo revisitado e conquistando um status de obra cult. A produção adapta Hábitos Perigosos, considerada uma das mais famosas histórias do mago inglês. A direção ficou a cargo de Francis Lawrence, o mesmo responsável pelos filmes da franquia Jogos Vorazes.

O primeiro longa de Francis entrega um suspense noir típico da década de 2000. A fotografia cria uma atmosfera soturna, fria e em alguns momentos até tensa. Com Keanu Reeves no papel principal, muitos fãs de Hellblazer criticaram a caracterização: nos quadrinhos, John Constantine é loiro e usa um sobretudo bege, enquanto Reeves surge apenas com roupas pretas e exibia, na época, seu característico cabelo escuro espetado. Embora os produtores não considerassem uma boa ideia manter o visual original, o estilo alternativo adotado acabou surpreendendo positivamente muitas pessoas.

O elenco do filme também conta com nomes de peso, como Rachel Weisz (A Múmia), que interpreta as irmãs Angela e Isabel Dodson; Tilda Swinton (O Quarto ao Lado), no papel do Arcanjo Gabriel; Peter Stormare (da série Prison Break), como Lúcifer; e Djimon Hounsou (Gladiador), vivendo Papa Meia-Noite, um homem misterioso que segue à risca as regras daquele universo. As irmãs gêmeas são interpretadas com sensibilidade por Rachel Weisz, que transmite muito bem a fragilidade das personagens. O Gabriel de Tilda Swinton é todo misterioso, com uma aura de bondade que intriga o espectador. Já Djimon Hounsou entrega a figura do homem sábio, que prefere não se envolver diretamente, mas aparece nos momentos necessários, revelando-se alguém de grande poder. As reviravoltas do filme funcionam bem, sem recorrer a soluções fáceis ou a um deus ex machina.

Constantine se firma como um bom filme de mistério sobrenatural e exorcismo. Mostrando que é possível fazer uma adaptação competente de um personagem de história em quadrinhos, com alterações significativas, mas ainda assim, respeitando todo o espírito da obra original e honrando o personagem. A cereja do bolo está no final: Peter Stormare. Como Lúcifer, ele surge de maneira cativante, tal qual em outras obras cinematográficas, e rouba a cena mesmo em poucos minutos de tela, deixando no espectador um forte desejo de ver mais do personagem. Já em relação ao protagonista, embora Keanu Reeves não seja conhecido por atuações extremamente expressivas ou de nível premiado, ele convence ao dar vida ao mago rabugento e solitário. Vale destacar ainda que o longa conta com uma cena pós-créditos.

 

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