Crítica | Coração de Lutador: The Smashing Machine (The Smashing Machine)

Nota
2.5

Invicto até o momento, o lutador de MMA Mark Kerr (Dwayne Johnson) é o favorito em todas as lutas que ele participa. Convencido que ele vai se tornar o melhor lutador do mundo, pelos campeonatos mundiais que ele participa, nada pode abalar a sua confiança, ainda mais porque ele tem tudo que um lutador poderia querer: Fama, Dinheiro das lutas e uma linda namorada que o apoia a todo momento. Mas a sua dependência com opióides pode colocar em jogo a sua relação que está tão estável. Será que após abandonar sua carreira para viver ao lado de seu namorado, Dawn (Emily Blunt) irá suportar os picos de raiva causados pelo vício de Kerr? Baseado na história real do lutador Mark Kerr, The Smashing Machine é uma das promessas do diretor Benny Safdie para esse novo ano de premiações, com as atuações de Dwayne Johnson e Emily Blunt sendo muito elogiadas nos circuitos de filmes pré Oscar e Globo de Ouro.

Dando uma virada na sua carreira, o diretor Benny Safdie entra na sua primeira jornada dirigindo um filme sozinho. Anteriormente, Benny, só havia dirigido filmes em parceria com seu irmão, o também diretor Josh Safdie, trabalhando com nomes como Robert Pattinson e Adam Sandler em um papel dramático, distante dos outros filmes de sua carreira. Benny Safdie se mostra ainda muito contido agora sem seu irmão, onde não parece ter encontrado um estilo único de filmagem nem de direcionamento de história, até porque ambos seguiram em projetos separados, seguindo a mesma temática do esporte, já que Josh Safdie dirige o longa Marty Supreme (2025), também destaque das premiações de 2026 pela performance de Timothee Chalamet. Benny se mostra inseguro, com um roteiro que não sabe de início onde quer chegar, por se tratar de uma biografia de um atleta, o filme segue por uma rota diferente do padrão dos filmes do gênero, que traz o início, ascensão, declínio e volta por cima, o que poderia ser algo interessante, mas que o diretor não sabe bem como trabalhar esse direcionamento mais emocional da vida de Mark Kerr, que acaba tendo um aprofundamento muito raso para os problemas que vão surgindo no filme.

O protagonismo de The Rock é uma boa surpresa no longa, já que o ator tem uma carreira recheada de filmes de herói e comédia, então é interessante vê-lo num papel mais dramático. Apesar disso, o roteiro não o ajuda tanto a se aprofundar o suficiente nas dores do personagem para trazer ainda mais o drama necessário, que recai no mesmo artifício dos acessos de raiva do personagem, o que na verdade ajuda na performance de Emily Blunt, que é de fato quem rouba a cena durante o filme inteiro. Blunt vive aquele tipo de mulher que larga tudo para viver em função do seu namorado famoso, abdicando muitas vezes da sua própria personalidade no meio do caminho, mas é nítido que muito da própria atriz foi colocado na personagem, que arrasa nas cenas mais dramáticas, com um texto que de fato lhe favorece, mas que não brilharia em outra atriz que não tivesse experiência o suficiente para improvisar e conduzir a cena para si mesma. 

Esteticamente, Coração de Lutador é um filme bonito, que segue a estética oitentista de películas desgastadas até quando quer representar os dias atuais, que talvez não tenha sido a melhor escolha, pelo menos com relação a paleta de cores, mas que deixa o filme consistente na sua maior parte. A pior coisa acaba sendo a fotografia e edição que se mostra muito insegura. Há diversos takes de movimento de câmera de um lado para o outro que poderiam ser cortados, não por uma questão de alongar ou diminuir cenas, mas para passar menos uma impressão de filmagem de documentário, para transmitir mais cinema durante as cenas. Essa indecisão estética de Benny se transmite inclusive até a conclusão do filme, onde temos o Mark Kerr real atuando como ele mesmo nos dias de hoje, mas com a câmera que o acompanha de fato como se fosse um documentário, mas em momento nenhum o filme se propõe a ser um documentário encenado da vida do lutador, o que poderia ser uma premissa muito interessante do diretor, mas que não se traduz no resultado final. 

Coração de Lutador acaba sendo um grande tropeço nos seus próprios excessos, mas que se sustenta puramente pelas atuações dos seus protagonistas. Dwayne surpreende nesse novo momento adentrando o drama, mas que não entrega nada tão surpreendente que leve o ator a receber prêmios no ano que vem. Enquanto isso, a elogiadíssima nos circuitos, Emily Blunt, entrega uma sutileza visceral, transformando de fato um drama tão irregular em um show próprio onde os holofotes estão nela mesma. Infelizmente as performances dos atores não salvam o filme por completo, que mostra ainda uma imaturidade do diretor Benny Safdie, que em seu primeiro filme solo como diretor entrega uma obra oscilante e insegura, que às vezes tenta usar técnicas de outros gêneros do cinema, mas que ainda não encontra uma identidade própria, mas que já mostra o potencial do diretor nessa nova jornada de autodescoberta como profissional. 

 

Ilustradora, Designer de Moda, Criadora de conteúdo e Drag Queen.

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