Nota
A nova animação da Netflix, cuja trilha sonora atingiu o top10 global do Spotify nos EUA, também foi um sucesso no mundo das animações, se tornando o filme mais assisto da plataforma. Mas de onde veio esse sucesso? Um bom elenco escalado? Uma história que conquistou a todos? Um bom público alvo atingido? Talvez tudo isso. Eles miraram, obviamente, na geração Z, mas também em outros fãs de K-Pop ao redor do mundo. A história acompanha um dos grupos de K-Pop feminino de maior sucesso no mundo, as HUNTR/X, que ao mesmo tempo que são um sucesso musical caçam demônios sugadores de alma, utilizando sua música e o amor dos fãs como uma proteção mundial contra os demônios. O rei demonio, Gwi-ma, envia então um boygroup pra bater de frente com as HUNTR/X, os Saja Boys, que vão conquistando fãs e roubando suas almas, possibilitando com que os demonios passem pro nosso plano.

Entre as HUNTR/X temos Rumi, a vocalista principal e lider com as notas mais altas e um segredo obscuro, Mira, a rapper do grupo, mais badass, poucos amigos e de grande coração, e temos Zoey, a fofa/carismática que tenta fazer todas se sentirem bem, estereótipos bem comuns de grupo de k-pop e outras narrativas orientais, da mesma forma, nos Saja Boys, cada um tem um conceito claro de boyband: o galanteador, o líder e main vocal, o fofo, o misterioso, o romântico e o sarado, tudo pra encantar mais fãs femininas com um estereótipos de kpop, inclusive o conceito, de música chiclete masculina com tons pasteis como primeiro single é normalmente usado na Indústria do kpop e depois vão explorando o lado mais badboy e darkside. Vemos claras inspirações em outros grupos de kpop, como Blackpink, 2NE1, o próprio TWICE (mais explicito no filme), Exo, Shinee, Super Junior e Monsta X.
A fotografia ficou impecável, vemos elementos da Coreia, clipes bem produzidos com animação dentro do próprio filme, cores vibrantes, experiência de palco e de eventos dentro da montagem de cenários, deixando bem claro que a direção de arte estudou bastante o gênero. Os figurinos também surjem bem atuais, levando em conta o que é utilizado na indústria do k-pop, fazendo referências a apresentações icônicas de grupos famosos, até com certas referências musicais bem presentes no filme. Maggie Kang e Chris Appelhans fazem todos mergulhar profundamente no mundo do k-pop, até quem era pouco aberto encontra uma chance de conhecer através da animação, entregando um enredo interessante, músicas envolventes, história com reviravoltas e o charme dos personagens, além de muita referência a lutas de animes.
Maggie leva o espectador para dentro da cultura coreana, claramente aproveitando da sua bagagem como parte da equipe de Kung Fu Panda 3, o que só soma à de Chris que traz em seu curriculo A Origem dos Guardiões, A Casa Monstro, entre outros. O filme se conecta eficientemente com o publico ao tornar possivel se identificar com os personagens, sejam dos Saja Boys, das HUNTR/X ou mesmo os seus bias (seu membro favorito, como os fãs de kpop falam), temos cantoras profissionais interpretando as músicas das HUNTR/X, além de grupos reais de kpop, como TWICE, na trilha do filme, o que torna o longa um forte candidato ao Oscar de Melhor Trilha Sonora Original, assim como de Melhor Animação.

Lee Byung-hun é uma ótima escolha como a voz do rei demonio Gwi-ma, principalmente para aqueles que rapidamente vão conectar com seu outro personagem, o Front Man de Round 6. Outra ótima escolha foi, na divulgação do filme pós lançamento, utilizar o próprio TWICE cantando em eventos. KPop Demon Hunters é um exemplo de como inovar em uma animação musical e com músicas originais, acerta em cheio no público alvo e marca um momento importante para a Netflix de entender como furar a bolha de novos públicos. Com a quantidade de pessoas pedindo uma continuação, não seria uma surpresa se isso já não esteja nos planos da empresa de streaming.
Lucas Vilanova
Formado em cinema de animação, faço ilustrações, sou gamer, viciado em reality shows, cultura pop, séries e cinema, principalmente terror/horror