Nota
“O Halloween é legal […] Por que é excitante, estranho e antigo.”
Marnie Piper vive em constante atrito com sua mãe por nunca poder sair durante o Halloween, sem imaginar os segredos que ela esconde há anos. Em seu décimo terceiro Halloween, Marnie presencia uma discussão entre sua mãe, Gwen, e sua avó, Agatha Cromwell, e descobre que é uma bruxa. A revelação vem acompanhada de um ultimato: se não começar logo seu treinamento, perderá seus poderes para sempre. Sentindo-se traída pela decisão da mãe, que tenta forçá-la a viver como humana, Marnie decide fugir de casa seguindo os passos da avó, determinada a descobrir suas origens. Acompanhada por seus irmãos, Dylan e Sophie, ela acaba atravessando um portal que a leva até Halloweentown, uma dimensão paralela onde criaturas mágicas e monstros convivem pacificamente, mas onde uma força sombria começa a se erguer, ameaçando corromper a harmonia do lugar e usar seus habitantes para um propósito ainda mais perigoso.

No passado, a NBC detinha os direitos de The Wonderful World of Disney, uma produção que a Disney buscava recuperar há anos. No final da década de 1980, surgiu um acordo: a NBC abriria mão dos direitos em troca de seis filmes produzidos pela Walt Disney Television. Steve White, então chefe de departamento da NBC, ficou responsável pela produção ao lado de Sheri Singer, vice-presidente sênior de filmes da Disney Television. A parceria profissional resultou não apenas em casamento, mas também no nascimento de Halloweentown, inspirado na curiosa pergunta feita pela filha de White: “para onde vão todas as criaturas do Halloween no resto do ano?”. Com roteiro de Paul Bernbaum, que batizou os três protagonistas com os nomes de seus próprios filhos, o projeto evoluiu e foi acolhido pelo Disney Channel, tornando-se um filme infantil que ainda contou com a sorte de ter Debbie Reynolds, lenda de Hollywood, no papel da carismática Agatha Cromwell.
A magia de Halloweentown está não apenas no enredo, mas na forma como seu universo ganha vida diante das limitações de uma produção televisiva. O design dos cenários e das criaturas aposta em um visual artesanal, com cores vibrantes e proporções exageradas que capturam a essência das histórias infantis dos anos 90. A cidade, com suas fachadas excêntricas e clima de feira sobrenatural, reforça o senso de acolhimento que contrasta com o mistério em torno da ameaça sombria. Mesmo com efeitos simples, o filme consegue manter uma aura encantadora, sustentada por figurinos expressivos e trilha sonora leve, que alterna entre o suspense e o humor. Essa combinação transforma o que poderia ser apenas mais um especial de Halloween em uma experiência nostálgica, lembrando o público de que a fantasia pode ser mágica mesmo quando feita com simplicidade e coração.
O elenco de Halloweentown é fundamental para que o tom mágico e familiar da narrativa funcione. Debbie Reynolds, como Agatha Cromwell, empresta ao filme uma presença carismática e calorosa, transformando a figura da avó em um símbolo de sabedoria e encantamento. Sua performance carrega a leveza de quem entende o público infantil, mas também o brilho de uma atriz experiente que eleva o material além de suas limitações. Kimberly J. Brown, como Marnie, mostra naturalidade e entusiasmo suficientes para sustentar a jornada de descoberta e rebeldia da personagem, tornando-a facilmente identificável para o público jovem. Joey Zimmerman e Emily Roeske completam bem o trio de irmãos, com química autêntica e momentos divertidos que ajudam a equilibrar o humor e a aventura. Até mesmo Judith Hoag, como a mãe controladora e protetora, entrega nuances que dão credibilidade ao conflito familiar que move toda a trama.

Halloweentown permanece como um marco das produções infantis do Disney Channel, combinando fantasia, humor e lições de amadurecimento em uma narrativa acessível e encantadora. O filme consegue equilibrar simplicidade e criatividade, criando um universo que ainda hoje desperta nostalgia nos espectadores que cresceram nos anos 90, ao mesmo tempo em que continua a cativar novos públicos. Tecnicamente, mesmo com limitações de orçamento e efeitos, a produção se destaca pelo design de cenários, figurinos expressivos e pela direção que mantém o ritmo envolvente, sem deixar a história se perder em detalhes desnecessários. A combinação de elenco talentoso, roteiro bem estruturado e ambientação única transforma o filme em uma experiência memorável, reforçando a capacidade da Disney Channel de criar clássicos atemporais. É uma obra que celebra a magia do Halloween, o poder da família e da descoberta pessoal, garantindo seu lugar como um clássico infantil que atravessa gerações.
Icaro Augusto
Sonhador nato desde pequeno, Designer Gráfico por formação e sempre empenhado em salvar o reino de Hyrule. Produtor de Eventos e CEO da Host Geek, vem lutando ano após ano para trazer a sua terra toda a experiência geek que ela merece.