Crítica | Hotel Transilvânia 4: Transformonstrão (Hotel Transylvania: Transformania)

Nota
3

Nesta continuação, o filme resgata um problema nunca completamente resolvido no primeiro longa: Johnny. Drácula decide se aposentar e passar o comando do hotel para Mavis, mas se vê obrigado a incluí-lo na sucessão – algo que ele jamais aceitaria de bom grado. Em uma tentativa atrapalhada de se tornar digno aos olhos do sogro, Johnny recorre ao bisavô Van Helsing e usa um dispositivo que o transforma em um monstro. O plano, porém, sai do controle quando Drácula e seus amigos acabam virando humanos. A única forma de reverter a situação é encontrar um cristal na América do Sul para que Drácula recupere sua forma monstruosa e Johnny volte a ser humano.

O filme se desenvolve com Johnny ensinando Drácula a lidar com a fragilidade humana, enquanto ele mesmo se diverte com seus novos poderes – voar, ter força sobre-humana, resistência, cuspir fogo. A trama se apoia na jornada de amadurecimento e aceitação mútua entre os dois, levando Drácula a finalmente reconhecer Johnny como parte da família. Visualmente, revisitamos cenários icônicos dos filmes anteriores, como o avião dos monstros, e vemos versões cômicas dos personagens: Frankie se torna um galã, Wayne vira um funcionário público exausto, Murray assume a aparência de um idoso centenário, o Homem Invisível ganha uma barriga saliente e Blob se transforma em uma gelatina.

A história, apesar de se dividir entre uma aventura na selva e uma caça ao tesouro, segue uma estrutura previsível. O roteiro se apoia em clichês, mas compensa com boas piadas visuais e diálogos bem-humorados. Momentos como Drácula enfrentando alergias e sendo atacado por mosquitos são hilários e bem-executados. Além disso, a fotografia abusa de tons neon – verdes, roxos e rosas – criando um visual vibrante que se destaca, especialmente em cenas como a festa de Johnny, as cavernas e os créditos em animação 2D.

O figurino de turista americano de Drácula combina perfeitamente com a situação, e sua dificuldade em lidar com o primeiro contato direto com o sol rende uma das melhores cenas do filme. No entanto, comparado ao seu antecessor, este longa é mais frenético e engraçado, mas também menos original. Ele não apresenta novos personagens, apenas variações dos já existentes, funcionando mais como um recurso para venda de brinquedos do que como uma evolução da história. Apesar disso, consegue explorar bem a inversão de papéis, com os monstros experimentando a fragilidade humana e Johnny se deliciando com seus poderes temporários.

A ambientação na selva sul-americana é recheada de estereótipos: piranhas, mosquitos, vegetação densa, flores exóticas e montanhas grandiosas. O clímax se resolve de maneira previsível, com um discurso inspirador típico das comédias americanas, tentando forçar uma moral da história. No fim, Hotel Transilvânia 4: Transformonstrão diverte e cumpre seu papel de entreter, mas não inova. Ele recicla piadas e situações dos filmes anteriores, trazendo poucas surpresas e se apoiando no carisma de seus personagens. É uma continuação agradável, mas que não se destaca dentro da franquia.

 

Formado em cinema de animação, faço ilustrações, sou gamer, viciado em reality shows, cultura pop, séries e cinema, principalmente terror/horror

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