Nota
Balthazar Bratt fazia muito sucesso, nos anos 1980, através de sua série de TV, onde interpretava um vilão chamado EvilBratt. Entretanto, o tempo passou, ele cresceu, e o ex-ator mirim e astro de TV vê sua fama se esvair quando sua série é cancelada, o que o faz se transformar em uma pessoa vingativa, passando as décadas seguintes plenajando seu retorno triunfal. Gru e Lucy são convocados para captura-lo em sua reaparição, mas acabam fracassando, o que os coloca como alvo do vilão, junto com suas filhas Agnes, Margo e Edith, ao mesmo tempo que Gru descobre Dru, seu irmão gêmeo.
Novamente com a direção de Pierre Coffin, que dessa vez conta com a co-direção de Kyle Balda, o longa aproveita toda a experiência que a dupla conseguiu comandando Minions, ganhando cores mais vibrantes e diversas referências aos anos 80, através da persona de Balthazar. Se os outros filmes optaram por focar em uma trilha que embeleza os momentos cômicos ou créditos, nesse temos um investimento em uma trilha que remete aos anos 80 e uma escolha de trazer músicas para cenas de ação e luta, inclusive escolhendo muito bem a cena onde coloca Bad, de Michael Jackson. O longa ainda traz referências a filmes de espiões, mostrando inspirações nas franquias 007 e Missão Impossivel, adicionando à equação muita comédia e um chicletão gigante.
As construções dos personagens são profundas, com Balthazar possuindo um design que lembra Prince e os anos oitenta, com um figurino que une ombreiras e roxo, passos de Michael Jackson e vários brinquedos clássicos (como iôiôs e cubos mágicos), trazendo ao longa duelos de dança e um vilão clássico, que explora o tema dos jovens astros de Hollywood que perdem a fama quando envelhecem e acabam surtando ao ponto de, nesse caso, se tornar um super vilão. Outra boa escolha é a de Dru, o irmão gêmeo que é o oposto de Gru: bobalhão, com muito cabelo e só vestindo branco, ele é um personagem muito simpático, simpático até demais.
A trama de Lucy e Gru também não é deixada de lado, enquanto eles tentam ser pais presentes para Agnes, Edith e Margo, Lucy passa por um desenvolvimento agora que se enxerga como uma mãe e busca ser validada, enquanto Gru, através de seu irmão, conhece sobre o passado do pai enquanto o ensina como ser um vilão melhor. O roteiro se apoia no carisma de seus personagens, com uma trama não muito rebuscada, mas que sabe do seu alcance e como aprofundar as novas revelação com muita comédia. O longa traz um vilão com um objetivo simples, que funciona, ao mesmo tempo que foca em fazer a história andar enquanto adiciona mais personagens à mitologia e repete uma receita que dá certo e faz o público gostar.
Aproveitando os cliches de pais super protetores, irmãos mais velhos sem muita paciência, músicas de assalto, coreografia de luta e cenas de espionagem, o filme ainda consegue ter espaço para permitir que os Minions possam roubar a cena, como em todos os outros filmes, dessa vez sendo vilões por conta própria e indo até presos. O filme é bem balanceado quanto à comédia e ação presente em seus núcleos, as tramas paralelas funcionam, deixando um personagem perseguindo um vilão ao mesmo tempo que situações inusitada e infantis acontecem em um lugar e as trapalhadas dos Minions se desenvolvem em outro, mas sempre sabendo como conectar essas três linhas num final chamativo. Vale destacar as cenas da invasão do covil, onde temos os mini-brats lembrando os Diabretes de Harry Potter ou os drones de Megamente, ou a cena de luta ao som de Into the Groove, da Madonna, além dos números musicais protagonizados pelos Minions.
Meu Malvado Favorito 3 agrada ao público infantil e adulto, equilibrando nostalgia de uma boa infância com muita comédia visual e musical, e ainda levando seu público a questionar sobre como será explorada uma próxima sequência. Seria interessante ver as filhas de Gru entrando para a vilania? Uma abordagem interessante em vez de apenas novos personagens para contar mais sobre família. Leandro Hassum dublando Gru e Dru e Evandro Mesquita como Bratt são escolhas perfeitas, não a toa o longa foi sucesso de bilheteria, se tornando a segunda maior bilheteria da franquia, atrás apenas de Minions.
Lucas Vilanova

Formado em cinema de animação, faço ilustrações, sou gamer, viciado em reality shows, cultura pop, séries e cinema, principalmente terror/horror