Crítica | O Insulto (L’Insulte)

Nota
4

Representando o Líbano na categoria Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2018, o filme dirigido por Ziad Doueiri, nos leva a um conflito entre o cristão libanês Toni Hanna (Adel Karam) e o refugiado palestino Yasser Abdallah Salameh (Kamel El Basha). O embate que começa com um insulto, leva a um incidente de grandes proporções nas ruas de Beirute, quando o caso é velado ao tribunal, chamando a atenção da mídia, revelando histórias do passado, e indo muito além de um simples julgamento.

O filme se divide em esferas, podemos observar como a tensão surge em um ponto e se espalha para outros setores, como o epicentro de um terremoto. Não se trata apenas de uma discussão entre dois homens, mas das consequências que crescem a cada cena, impulsionadas por um ódio antigo e ressentimentos que transcendem o embate pessoal. Dentro do tribunal se desenvolve também uma rusga entre Wajdi Wehbe (Camille Salameh) e Nadine Wehbe (Diamand Bou Abboud), os advogados de defesa dos dois clientes, pai e filha se posicionando em lados opostos de um mesmo julgamento.

Com atuações muito autenticas, o longa leva o espectador a compreender as motivações de cada um dos personagens, criando tensões muito bem construídas e conduzindo uma discussão interessante sobre como o ressentimento pode gerar o ódio e ocasionar a violência. As viradas do roteiro são capazes de sincronizar a respiração do cinema, causando pontuais inspirações profundas. O argumento politico como plano de fundo e atuação da mídia dentro do desenvolvimento da trama, ajudam a conferir um tom de realidade e deixando mais clara a dimensão dos fatos.

A questão dos refugiados, sejam eles de qualquer nacionalidade, e os ressentimentos culturais, são temas importantes para serem postos em debate. O Insulto cumpre bem o papel de colocar esse tipo de discussão em pauta, condicionando reflexões necessárias sobre o assunto.

O filme chega aos cinemas brasileiros no dia 8 de fevereiro.

 

Estudante de Museologia na UFPE, Cavaleiro Jedi, viciado em cinema, HQs, e coleções. Já gastou mais tempo de vida vendo séries que dormindo.

Resposta de 1

  1. Excelente artigo! Já visitei o seu blog outras vezes, porém nunca
    tinha escrito um comentário. Pus seu blog
    nos meus favoritos para que eu não perca nenhuma atualização.
    Grande abraço!

Deixe um comentário para felipe Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *