Nota
Joe Wainwright (Neal McDonough) é uma lenda dos rodeios texanos já aposentado que agora vive uma vida pacata com sua filha Sally (Sarah Jones) e seu neto Cody (Graham Harvey). Seu neto Cody é alegre, viciado em esportes e sonha em seguir os passos do seu avô e montar em touros nas competições que agitam a cidade. Mas de repente eles descobrem o pior, Cody tem uma condição séria que só pode ser curada com uma cirurgia que custa quase 150 mil dólares. Desesperados para a melhora de Cody, Joe decide marcar a cirurgia mesmo sem ter o dinheiro em mãos, mas enquanto sua filha Sally pensa em vender o resto de terras que eles têm, talvez hipotecar a casa, ou vender os cavalos da família, Joe tem um plano: voltar a competir nos rodeios, mesmo depois de anos sem estar na ativa, na tentativa de ganhar o prêmio para cobrir o valor da cirurgia do seu neto. Mas isso não vai ser uma tarefa fácil já que sua filha não concorda com esse retorno e tem medo de perder não só o seu filho como também o seu pai. Dirigido, escrito e produzido por Jon Avnet, O Último Rodeio é um drama familiar que promete emocionar com uma história de superação da família Wainwright.

Estreando no dia 16 de outubro nos cinemas nacionais, O Último Rodeio é mais uma produção da Angel Studios que trouxe séries religiosas de sucesso, além de investir pesado na divulgação de sua mais recente animação do gênero, após a produtora se aventurar em 2024 com o seu primeiro curta. Ainda assim, O Último Rodeio traz uma história menos explicitamente religiosa do que suas outras produções, que na maioria das vezes também retratam períodos históricos, e trazendo uma ambientação mais moderna, para atrair também um público não religioso para assistir o filme. Ainda assim, o longa não surpreende no seu roteiro, entregando mais do mesmo para um filme dramático de superação, além de ter uma história bastante previsível.
O longa também sofreu diversas críticas do público americano, que já teve a oportunidade de assistir desde setembro, especialmente da performance dos atores, mas apesar disso, as atuações se mostram bem consistentes e naturais, retratando bem os maneirismos e sotaques dos sulistas americanos de uma forma bem realista. Já com o seu ator principal, o Neal McDonough, que tem um histórico de fazer vilões, o papel de mocinho não lhe caiu tão bem. Claro que o roteiro não o ajudou, já que o desenvolvimento de seu personagem é quase mínimo e o texto o coloca na maioria do tempo muito mais como um homem idoso que quer provar sua masculinidade para “salvar” sua família, do que necessariamente por uma superação dos seus limites e da condição do seu neto. Isso, por exemplo, é reforçado diversas vezes com seus takes “sexualizados”, seus acessos de raiva que são frequentes, além da narrativa pobre mesmo que em momento nenhum nos faz acreditar que ele iria vencer aquele torneio. O filme deveria ter seguido uma narrativa no estilo de Nyad (2023), que mostra a evolução da nadadora idosa aos poucos para enfim chegar no seu momento de glória, mas em O Último Rodeio é tudo tão apressado que não há tempo de haver uma superação do personagem.

Apesar do enredo super clichê, O Último Rodeio é um filme bem sólido para o seu público alvo. Com atuações satisfatórias, o filme tem um foco maior em trazer sua mensagem de superação que irá agradar bastante um público mais velho que pode se identificar com a mensagem do filme, apesar de não ser um filme de fácil identificação para o público brasileiro, já que a ambientação é extremamente estadunidense, mas que pode agradar inclusive o público brasileiro mais religioso, já que o filme tem esse apelo em diversos momentos. Mas num geral não é um grande filme, até os olhares mais atentos vão notar que o enredo e o texto do filme não é grandioso o suficiente para sustentar seus personagens, assim como os efeitos nos cenários que mostram um orçamento limitado da produção e desaponta bastante. Ainda assim, para quem gosta de um drama leve de fácil resolução, é um ótimo filme para uma sessão de cinema à tarde em que você não precisa pensar muito.