Nota
Vivarium é um filme que é literalmente ‘ame ou odeie’. Ele começa com uma montagem que explica toda sua narrativa, sobre o parasitismo do cuco, de uma forma bem Discovery Channel, e em seguida mostra o casal protagonista, Imogen Poots como a pedagoga Gemma e Jesse Eisenberg como o jardineiro Tom, um casal que vai em busca de um lugar perfeito para morar e encontra um verdadeiro pesadelo: ficam presos num labirinto de casas felizes e iguais.
Quando conhecemos o corretor de imóveis interpretado por Jonathan Aris, ficamos extremamente desconfortáveis com sua atuação, e no decorrer do filme descobrimos que é proposital, seja gestos, jeito de falar, entonação, tiques, tudo naquele vendedor nos beira a estranheza, porém ele apresenta o sonho americano para os personagens, um condomínio de casas perfeitas, tudo é perfeito, milimetricamente igual, até as nuvens no céu são iguais. O casal vai conhecer seu possível novo lar e temos um corte em que o corretor some, os personagens aos poucos percebem a armadilha, tentam fugir e investigar, e somos inseridos ao filme verdadeiramente, um lugar perfeito, mas sem saída, tudo igual, no mesmo lugar, os personagens esgotam todas as alternativas de fuga dali e depois são impostos a criar um garoto, um garoto terrivelmente estranho.
O diretor Lorcan Finnegan nos insere no filme, ele nos coloca em diversas metáforas, parasitismo, ilusão do american dream, diferenças de maternidade e paternidade, suas toxidades, o que uma criança indesejada ou mal planejada pode gerar, várias camadas, com uma mistura de suspense, psicodélico, surrealismo e até ficção científica. Porém mesmo com a atuação brilhante do casal principal e do menino estranho, interpretado por Senan Jennings, o roteiro não desenvolve o suficiente para trabalhar o mistério. Chega um ponto, que talvez foi proposital, em que ficamos presos como os personagens, sem saber pra onde ir, pra onde o filme nos levará, só aceitando as decisões, exatamente igual aos personagens.Toda a estranheza do menino cresce com ele, o tornando um adulto mais estranho ainda, mostrando outro ponto distorcido de vida familiar, mas não nos leva para uma solução digna ou uma explicação de tudo, apenas mais fatos e mais cenas. Se levarmos em conta a montagem inicial do filme, é previsivel o final do filme desde o começo.
A direção de arte fez um bom trabalho em deixar tudo “perfeito”, milimetricamente igual. A montagem do cigarro apagando enquanto eles procuram uma saída daquele labirinto e se esgotando, como o maço de cigarro, foi perfeita. Viveiro tem boas escolhas de fotografia, elenco, estética, porém falta uma sensibilidade e maior trabalho do roteiro para um fechamento, uma conclusão mais decente, é complicado assistir um filme e já saber o seu final. O filme deixa várias metaforas visuais e narrativas, faz você preencher com o seu conhecimento filosófico em vez de se resolver por si só, talvez uma escolha da direção de Finnegan, que já fez diversos outros filmes irlandeses mais conceituais.
Lucas Vilanova
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Formado em cinema de animação, faço ilustrações, sou gamer, viciado em reality shows, cultura pop, séries e cinema, principalmente terror/horror