Crítica | Zoopocalipse – Uma Aventura Animal (Night of the Zoopocalypse)

Nota
4

Gracie é uma loba que vive com sua alcateia composta pela sua avó e seus outros irmãos. Sua avó é muito rigorosa com os treinamentos e exige que eles fiquem alertas o tempo inteiro para um perigo iminente. Mas Gracie acha que esse perigo nunca vai chegar, até porque eles moram em um zoológico. Mas para contrariar as expectativas de uma vida pacata de Gracie, um asteroide cai no zoológico, fazendo um estrago e uma bagunça nas jaulas dos animais, o que leva a lobinha a conhecer Dan, um leão-da-montanha muito perigoso, e Xavier, um lêmure arretado que adora cinema. Conhecer Xavier na verdade vai ser muito útil para Gracie sobreviver nesse Zoopocalipse, já que Xavier é especialista em filmes de terror. Zoopocalipse – Uma Aventura Animal é uma coprodução entre Canadá e França, distribuído pela Diamond Filmes, o longa traz uma proposta inovadora para o gênero do terror infantil. 

Sendo os primeiros projetos de longa em animação dos diretores Rodrigo Perez-Castro e Ricardo Curtis, Zoopocalipse – Uma Aventura Animal traz diversas referências do terror clássico e do body horror, o que se beneficia de ter como um dos seus produtores executivos Clive Barker, que trabalhou franquia Hellraiser (1988-1996), essas referências são muito utilizadas no filme, reproduzindo inclusive estereótipos do senso comum de zumbis de uma forma muito inteligente para adaptar para o público infantil, sem o uso de sangue, com corpos de gelatina para suavizar os desmembramentos, etc. Esse direcionamento mais sombrio para o filme é o que o deixa mais interessante inclusive para os adultos, por trazer um olhar mais clássico do terror sem ser tão pesado para as crianças, mas ainda assim é um ponto de atenção para os pais de não levarem crianças sensíveis para o cinema, lembrando que o filme também tem classificação indicativa para maiores de 10 anos.

O longa traz uma boa mescla entre dubladores veteranos e Star Talent, trazendo nomes como Viih Tube e o humorista Ed Gama no seu elenco. Mesmo não sendo atriz Viih Tube entrega uma performance satisfatória, mesmo ficando aparente a sua falta de experiência com atuação no geral, mas ainda assim a influencer consegue dar vida à personagem jovem e imatura de uma forma surpreendente para sua experiência. Agora quem de fato surpreende por uma ótima performance é Ed Gama, que deu vida ao lêmure nordestino Xavier, que claramente precisaria ter um sotaque diferente pra se destacar dos outros personagens, já que Xavier tem um sotaque francês na dublagem original, trazendo a influência dos filmes para sua personalidade e um sotaque nordestino traz um nível cômico muito interessante, que vem sendo replicado em outras obras atualmente e que pode ser uma porta de entrada para mais vozes nordestinas em animações.

Zoopocalipse revive o terror infantil de uma forma super criativa trazendo boas referências do terror clássico de uma forma mais amena. A animação super fluida e colorida vai atrair demais as crianças menores, mas que ainda pode assustar bastante as crianças mais medrosas, mas a classificação indicativa e o cuidado em suavizar elementos clássicos de body horror pode tranquilizar os pais para um filme que diverte a família toda com um roteiro super leve. A animação, que é um destaque do filme, segue os padrões de animações infantis com muito exagero e humor físico, e a dublagem brasileira acompanha bem esses exageros com um texto super cômico, deixando os personagens ainda mais cativantes.

 

Ilustradora, Designer de Moda, Criadora de conteúdo e Drag Queen.

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