Nota
Maddie Nears desapareceu dentro da própria escola. O que deveria ser apenas mais um dia em Split River High School termina de forma abrupta, deixando como única pista manchas de sangue encontradas na sala da caldeira. O que ninguém sabe de imediato é que Maddie morreu e agora está presa na vida após a morte, vagando pelos corredores da escola como mais um dos espíritos que ali permanecem. Enquanto Simon Elroy e Nicole Herrera, seus melhores amigos, tentam entender o que aconteceu e onde Maddie está, a própria Maddie luta para reconstruir suas últimas memórias, na esperança de identificar seu assassino e descobrir o paradeiro de seu corpo. Nesse processo, ela encontra apoio no Grupo de Apoio de Pós Vida liderado pelo enigmático Sr. Martin, onde conhece Charley, um fantasma dos anos 90 que morreu após uma crise alérgica, Wally Clark, um ex atleta dos anos 80 que teve sua vida interrompida durante um jogo escolar, e Rhonda Rosen, uma jovem marcada por uma morte violenta causada por seu conselheiro escolar. Paralelamente, Maddie começa a desconfiar de Xavier Baxter, seu namorado em vida, cujo comportamento estranho nos dias que antecederam sua morte e a posse de objetos pessoais da garota levantam suspeitas e ampliam o mistério central da narrativa.

Criada por Megan Trinrud e Nate Trinrud, Espíritos na Escola estreou no Paramount+ em 9 de março de 2023 e é uma adaptação da graphic novel desenvolvida pelos próprios criadores em parceria com Maria Nguyen. A série aposta em uma mistura de mistério sobrenatural e drama adolescente, utilizando o ambiente escolar não apenas como cenário, mas como um espaço simbólico de limbo emocional e existencial. Ao longo da primeira temporada, a produção equilibra a investigação do desaparecimento de Maddie com questões típicas da adolescência, como identidade, pertencimento e culpa, agora amplificadas pela perspectiva da morte. Tecnicamente, a série se apoia em uma linguagem acessível e dinâmica, com uma montagem que alterna entre o mundo dos vivos e o dos mortos sem grandes rupturas, facilitando a imersão mesmo para quem não está acostumado ao gênero sobrenatural. O elenco principal conta com Peyton List no papel de Maddie, ao lado de Kristian Ventura (Simon), Milo Manheim (Wally) e Spencer MacPherson (Xavier), nomes que ajudam a sustentar o apelo jovem da produção. Embora não se destaque por grandes inovações formais, Espíritos na Escola encontra força na clareza de sua proposta e na maneira como constrói um mistério contínuo, convidando o espectador a seguir episódio após episódio em busca de respostas.
O elenco jovem é um dos principais trunfos de Espíritos na Escola, mesmo quando o roteiro não oferece material igualmente forte para todos. Peyton List sustenta a série com segurança no papel de Maddie, equilibrando vulnerabilidade, ironia e frustração ao viver uma protagonista que precisa lidar com o próprio luto enquanto investiga sua morte. Sua presença funciona tanto nos momentos mais dramáticos quanto nos diálogos leves, ajudando a manter a narrativa coesa. Kristian Ventura, como Simon, entrega uma performance contida e emocionalmente honesta, representando bem a dor de quem ficou para trás sem respostas. Milo Manheim traz carisma a Wally, usando seu timing cômico para suavizar o peso do purgatório escolar, enquanto Spencer MacPherson constrói um Xavier ambíguo, constantemente oscilando entre suspeito e vítima das circunstâncias. Entre os espíritos, Sarah Yarkin se destaca como Rhonda, dando profundidade a uma personagem marcada por raiva e desconfiança, enquanto Nick Pugliese transforma Charley em um dos pontos mais afetivos da série, funcionando como alívio emocional e representação sensível dentro da trama. No conjunto, o elenco consegue sustentar o interesse do espectador mesmo quando a série flerta com soluções fáceis, criando personagens suficientemente carismáticos para manter o envolvimento até o fim da temporada.

Espíritos na Escola encerra sua primeira temporada consciente de suas limitações, mas também segura de seus méritos. A série não se apresenta como um grande marco do gênero sobrenatural nem como um drama adolescente revolucionário, porém encontra um equilíbrio confortável entre mistério, emoção e entretenimento. Há decisões de roteiro previsíveis, algumas resoluções apressadas e personagens que poderiam ser mais bem explorados, mas nada disso chega a comprometer a experiência como um todo. O maior acerto da produção está na forma como constrói seu mistério central, mantendo o interesse episódio após episódio e sabendo dosar informações para que o público permaneça envolvido. O final, em especial, funciona como um gancho eficiente, reconfigurando o que se sabia até então e abrindo novas possibilidades narrativas que despertam curiosidade genuína. Mesmo sem alcançar excelência técnica ou narrativa, a série entrega uma temporada coesa, com identidade própria e personagens suficientemente carismáticos para justificar a continuidade. É uma produção que se assiste com facilidade, que entretém sem exigir grandes esforços do espectador e que deixa claro haver razões suficientes para seguir acompanhando os próximos desdobramentos desse purgatório escolar.
Icaro Augusto
Sonhador nato desde pequeno, Designer Gráfico por formação e sempre empenhado em salvar o reino de Hyrule. Produtor de Eventos e CEO da Host Geek, vem lutando ano após ano para trazer a sua terra toda a experiência geek que ela merece.