Nota
2.5

“Olá, Sidney. Adivinha quem é? Sentiu minha falta?”

Décadas após sobreviver a sucessivos massacres, Sidney Prescott finalmente construiu uma vida estável em Pine Grove, Indiana. Casada com o chefe de polícia Mark Evans, ela administra uma cafeteria e divide seu tempo entre a família e a criação dos filhos, especialmente Tatum Evans, sua filha adolescente de personalidade forte e comportamento problemático. Mas o passado nunca permanece enterrado por muito tempo. Quando teorias da conspiração começam a circular pela internet afirmando que Stu Macher, um dos responsáveis pelos assassinatos originais de Woodsboro, sobreviveu aos acontecimentos de anos atrás e vive escondido desde então, tudo parece apenas mais uma lenda criada por fãs obcecados pelos crimes. Isso muda quando Sidney recebe uma ligação de Ghostface. Durante uma perturbadora chamada de vídeo, ela se depara com o rosto envelhecido e marcado de Stu, agora décadas mais velho, mas tão obcecado quanto antes. Depois de anos nas sombras, ele está pronto para concluir o que começou, iniciando uma nova onda de assassinatos que coloca Tatum, seus amigos e toda a família Prescott-Evans na mira do assassino.

Após Pânico VI (2023), a franquia passou por um dos períodos mais turbulentos de sua história. Em agosto de 2023, os diretores Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett deixaram a sequência devido a conflitos de agenda com Abigail (2024). Pouco depois, a pré-produção foi impactada pela greve do SAG-AFTRA, atrasando ainda mais os planos do estúdio. A situação se agravou em novembro, quando Melissa Barrera, protagonista dos dois filmes anteriores, foi demitida após publicações pró-Palestina em suas redes sociais. Logo em seguida, Jenna Ortega também deixou o projeto. Diante de tantas mudanças, a produção precisou passar por uma reformulação criativa completa, o que abriu caminho para o retorno de nomes clássicos da franquia. Entre eles estava Neve Campbell, ausente em Pânico VI após uma disputa salarial com os produtores. Sua volta trouxe uma nova direção para o projeto, que ainda passou a contar com Kevin Williamson, roteirista responsável por toda a franquia, assumindo a direção, Guy Busick retornando ao roteiro e os curiosos retornos de David Arquette, Courteney Cox, Matthew Lillard e Scott Foley. Pânico 7 abraça a ideia de ser um grande filme de reunião, buscando corrigir algumas das escolhas mais divisivas dos dois longas anteriores e apostando alto ao trazer Stu Macher novamente para o centro da narrativa. A volta de Matthew Lillard é, por si só, um dos maiores atrativos da produção, mas o roteiro encontra sua principal força ao brincar constantemente com a percepção do público.

“Isso é retcon ridiculo para qualquer franquia. Desta vez gira em torno de nostalgia […] Seja quem for, quer tirar a Sidney da aposentadoria.”

Em uma era dominada por inteligência artificial, manipulação digital e deepfakes cada vez mais convincentes, o filme alimenta a dúvida sobre o que está realmente acontecendo, utilizando essa incerteza como combustível para o suspense. Ao mesmo tempo, a reunião de Sidney Prescott, Gale Weathers e dos gêmeos Chad e Mindy Meeks-Martin cria uma dinâmica extremamente interessante, conectando diferentes gerações da franquia. A chegada de Tatum Evans e de seu grupo de amigos tinha potencial para fortalecer ainda mais essa proposta, transformando o elenco em uma verdadeira ponte entre passado, presente e futuro. No entanto, o roteiro raramente encontra tempo para desenvolver adequadamente esses novos personagens. A própria Tatum, que deveria funcionar como o coração da nova geração, surge como uma das figuras mais frágeis da narrativa. Falta carisma, profundidade e até mesmo coerência em alguns de seus conflitos, especialmente na forma como ela reage à superproteção de Sidney. Em diversos momentos, suas atitudes parecem exageradas a ponto de nem mesmo seus amigos compreenderem suas motivações, fazendo com que a personagem acabe servindo de combustível para o núcleo mais fraco e menos convincente de toda a trama.

Se existe um núcleo que ainda consegue carregar parte do peso emocional da franquia, ele está nas mãos dos veteranos. Neve Campbell retorna ao papel de Sidney Prescott com a naturalidade de quem nunca deixou a personagem, reforçando porque ela continua sendo uma das Final Girls mais importantes da história do terror. Courteney Cox também encontra conforto novamente na pele de Gale Weathers, agora acompanhada pelos gêmeos Chad e Mindy Meeks-Martin, que assumem uma curiosa posição de aprendizes da jornalista, funcionando como uma extensão moderna da obsessão investigativa que sempre definiu a personagem. O filme também encontra força em suas referências, recriando momentos clássicos que vão desde a chegada de Billy Loomis à janela de Sidney até ecos do ataque de abertura contra Casey Becker. São homenagens que certamente agradam aos fãs mais antigos, mas que também evidenciam um dos maiores problemas da produção: a constante necessidade de olhar para trás. Em diversos momentos, Pânico 7 parece mais interessado em revisitar memórias da franquia do que em construir algo verdadeiramente novo para ela.

“Você tá preparada para a experiência na Casa Macher?”

Talvez o maior problema de Pânico 7 seja justamente a sensação de esgotamento criativo. Após sete filmes, a franquia sempre encontrou formas de se reinventar, comentando tendências do terror, da cultura pop e até da própria indústria cinematográfica. Aqui, porém, parece faltar uma ideia central forte o suficiente para justificar mais um massacre. O longa tenta se apoiar na nostalgia, no retorno de personagens queridos e em referências ao passado, mas encontra dificuldades para construir um grupo de novos personagens memoráveis ou desenvolver uma trama que realmente surpreenda. A revelação dos Ghostfaces sofre com esse mesmo problema. Em uma franquia que transformou suas identidades e motivações em um dos principais atrativos, o desfecho surge pouco inspirado e sustentado por justificativas que enfraquecem o impacto da narrativa em vez de fortalecê-lo. Nem mesmo a presença de nomes promissores como Mckenna Grace consegue escapar dessa sensação de oportunidade desperdiçada.

Ainda existe diversão no caminho. Kevin Williamson compreende a linguagem de Pânico como poucos e consegue manter vivo o clima slasher que tornou a série tão popular, mas ser um ótimo roteirista já não parece suficiente, ele não consegue assumir habilmente a cadeira de diretor. Entre personagens descartáveis, mortes sem peso emocional e decisões que dependem excessivamente da ingenuidade dos protagonistas, o filme transmite a impressão de uma franquia que finalmente começa a sentir o peso da própria longevidade. Talvez não seja o momento de encerrar definitivamente a saga, mas certamente parece a hora de dar um passo para trás, respirar e permitir que novas ideias surjam antes da próxima ligação de Ghostface. Porque, desta vez, a pergunta não é quem está usando a máscara, mas se ainda existe algo novo a ser dito por trás dela.

“- Você matou o assassino. Ele está morto.
– E quem disse que é só um?”

 

Sonhador nato desde pequeno, Designer Gráfico por formação e sempre empenhado em salvar o reino de Hyrule. Produtor de Eventos e CEO da Host Geek, vem lutando ano após ano para trazer a sua terra toda a experiência geek que ela merece.