Nota
Dirigido por Philippe Lacheau, Marsupilami: Confusão a Bordo (2025) conta a história de David (Philippe Lacheau), um homem que enfrenta o luto após a separação com sua ex-esposa, Tess (Élodie Fontan). Assim, por estar emocionalmente mal, acaba sendo bastante imprudente no ambiente de trabalho. Para salvar seu emprego, o seu “chefe” lhe encarrega uma tarefa bastante difícil, buscar um pacote misterioso vindo da América do Sul. David vai a viagem com sua esposa e filho, mas não imaginava a grande aventura que iria viver e muito menos o que estava dentro desse pacote. O filme é divertido e tem um ritmo bem rápido e frenético que consegue prender o espectador do começo ao fim. No entanto, o desenrolar da história é extremamente batido e a narrativa traz um humor com piadas que por vezes chegam a ser “forçadas” e bastante caricatas.

Marsupilami é um filme que passa uma energia bastante “Sessão da Tarde”. Traz um enredo enérgico, com personagens caricatos e agitados, demonstra querer abranger o público infantil, já que traz a figura do Marsupilami enquanto esse personagem fofo, atencioso e brincalhão que ajuda a criança da obra (Corentin Guillot) a lidar melhor com a separação dos pais. As cenas dele com o animal são as melhores de Marsupilami pois demonstram aproximação e afeto genuínos, dando um respiro ao ritmo frenético que o filme tem do começo ao final.
Entretanto, apesar dessa pegada infantil, carrega uma contradição, já que no meio de toda a confusão presente na narrativa, existem algumas piadas de cunho sexual, que acabam por soar bastante “forçadas” em determinados momentos. Além disso, é relevante fazer uma crítica à falta de protagonismo das personagens femininas, as quais têm pouco tempo de tela, poucas falas e ficam em segundo plano da história, colocando os homens em uma posição de destaque muito maior. Ademais, a falta de personagens negros também é outro fator a se criticar. Para um filme de 2025, isso soa bastante arcaico e até mesmo preconceituoso.

Marsupilami é um obra que consegue entreter bastante o espectador, no entanto, não se destaca em nada perante outros títulos. É um filme que traz divertimento e pode abranger o público infantil — com ressalvas —. Contudo, essa padronização nos personagens, dado o protagonismo apenas aos homens — brancos —, além piadas caricatas e batidas, o tornam apenas mais um filme.