Nota
A continuação da adaptação do clássico jogo de fliperama Mortal Kombat, Mortal Kombat 2, surpreende com sua qualidade e lealdade a estética e energia do antigo arcade. Produzido pela Atomic Monster, de James Wan (Franquia Jogos Mortais), em parceria da Broken Road Productions, Fireside Films e New Line Cinema. A sequência em longa-metragem, dirigida por Simon McQuoid, acompanha uma forte instabilidade entre os reinos, que acabam por travar uma brutal e sangrenta disputa entre as forças do Plano Terreno e o regime tirânico Shao Kahn, governante da Exoterra.

Desde o início do filme o espectador é direcionado para o cenário do clássico jogo. Tudo na obra remete diretamente ao Mortal Kombat. Para quem joga ou jogou, é uma sensação muito interessante de imersão e familiaridade. Simon McQuoid conseguiu fazer isso muito bem. Outro fator importante é o protagonismo feminino dado à Kitana (Adeline Rudolph) que entrega força e representação com sua atuação, acompanhada da sua parceira, irmã: Jade (Tati Gabrielle) que compõem uma bonita relação de irmandade, acompanhada desde o início. Uma surpresa que traz bastante comicidade à atmosfera sombria de Mortal Kombat 2 é a presença do Johnny Cage (Karl Urban) nas batalhas, mostrando suas habilidades, mesmo sendo um ator.
Logo, Mortal Kombat 2 apresenta uma atmosfera bastante atraente para o espectador, com personagens marcantes, fortes, trilha sonora fiel ao jogo, cenários e figurinos bem produzidos. Entretanto, a narrativa não apresenta nenhum plot twist, nenhum desenvolvimento mais profundo de personagem e nada que surpreenda. Tudo acontece trazendo esse toque de familiaridade com o jogo, mas nada que faça o filme ganhar grande destaque. O longa tem uma narrativa bastante interessante, personagens que ganham destaque, figurinos bons, elenco bem selecionado, e lealdade a autenticidade do jogo. É um filme interessante, mas nada o faz ser uma obra fora da curva.

Assim, Mortal Kombat 2 se consolida como uma boa adaptação, que se mostra competente e fiel estéticamente e referencialmente, ao universo dos jogos, principalmente através da construção de personagens icônicos para o jogo como a Kitana e o Johnny Cage. Entretanto, acertando tanto nessa sensação de familiarização, que inclusive é bem emocionante nos créditos, quando toca a trilha clássica do jogo, o filme acaba por não se arriscar tanto. Portanto, Mortal Kombat 2 cai na previsibilidade, não trazendo nada de novo, ou diferente para a narrativa. Ele atende ao fanservice, mas é uma obra que se limita, não consegue se aprofundar.