Crítica | Tainá e os Guardiões da Amazônia – Em Busca da Flecha Azul

Nota
4

A ansiosa e decidida Tainá está agitadíssima com todo o treinamento que vem recebendo de sua mestra, a Mestra Aí, a bicho preguiça, para se tornar a Guardiã da Floresta Amazônica e poder usar a tão sonhada Flecha Azul. Mas isso não vai ser uma tarefa fácil, já que ela é tão ansiosa que acaba se atrapalhando em tudo que faz. Quando sua mestra decide que finalmente ela recebeu todo o treinamento que precisava, Tainá acaba pegando a Flecha Azul escondida, o que leva a flecha a sumir. Desesperada, ela decide ir em busca da flecha antes que sua mestra acorde, o que a faz conhecer novos amigos, que vão se tornar seus ajudantes de Guardiões da Floresta: Catú, o macaco, Suri, a ouriço e Pepe, o urubu. Usando suas habilidades especiais, eles vão ajudar os animais contra o temido espírito maligno da floresta, o Jurupari, que planeja colocar fogo na floresta inteira, acabando com seu lar. Mas o que eles não sabem é que Nina, uma jovem garotinha, acabou de se mudar com seu pai, o fazendeiro João Bifão, para a floresta e segue apreensiva com a ambição do pai de construir uma fazenda gigante na floresta.

Tainá e os Guardiões da Amazônia – Em Busca da Flecha Azul se destaca por trazer músicas diferentes do que estamos acostumados em filmes infantis atuais. Tendo a presença ilustre no elenco da cantora Fafá de Belém, dando à voz à mestra Aí, o filme nos apresenta uma diversidade de ritmos nesse longa divertidíssimo. Com influências do Carimbó e do Sertanejo, as músicas são divertidas, engraçadas e que vão fazer as crianças dançarem no cinema. Dirigido por Alê Camargo, que tem uma vasta experiência em outros longas de animação, e Jordan Nugem que faz sua estreia como diretor de um longa de animação, mas que já trabalhou em outras produções animadas da franquia Angry Birds, Tainá e os Guardiões da Amazônia – Em Busca da Flecha Azul é uma produção da Sincrocine Produções Cinematográficas, responsável também pelo último filme live action da franquia de Tainá, assim como nas últimas produções em animação da franquia, incluindo uma série animada com o mesmo título, disponível atualmente na Globoplay. Mais dinâmico, a nova animação de Tainá se permite ser muito mais imaginativa que os filmes originais, embora tenha mudado completamente a história de origem da personagem, que antes vivia com outros humanos, agora ela foi criada por animais e nunca teve contato com outros seres humanos, o que causa uma cena muito interessante da nossa protagonista com a Nina, sua nova amiga. 

Os animais falantes também são uma ótima adição a história, trazendo personagens mais divertidos e coloridos, prontos para agradar as crianças mais novas. O que acaba fazendo uma mudança de narrativa, já que as temáticas dos filmes originais de Tainá, Uma Aventura na Floresta (2001) eram mais focados no tráfico de animais e as consequências da caça predatória para os animais e a floresta. Agora temos um tema ainda mais relevante nos dias de hoje, que é o desmatamento e o descontrole com o crescimento acelerado do agronegócio no meio da floresta amazônica, onde inclusive, há críticas bem incisivas e corajosas da equipe do filme sobre o agronegócio num geral, o que surpreende, mas também ajuda a explicar como o agronegócio acaba sendo nocivo de uma forma lúdica para as crianças. 

Com um estilo fofíssimo de animação, a nova história da valente Tainá segue o padrão de animações já recorrentes em canais infantis como o Gloob, com o fundo mais plastificado e personagens em 3D sem texturas. Esse estilo funciona bem para os personagens, que precisam ser dinâmicos, correr, lutar, então esse estilo é bem característico para esse tipo de história. Apesar disso, os fundos sem textura alguma causam um estranhamento, ainda mais porque durante o filme, nas cenas musicais, há uma mudança de fundo, onde tudo é quase 2D, mas sobretudo com texturas de feito a mão, como se fossem de lápis de cor, giz de cera, etc. A estética escolhida para os números musicais poderia funcionar muito bem para o filme inteiro, e talvez usando tons mais monocromáticos para os números. 

Tainá e os Guardiões da Amazônia – Em Busca da Flecha Azul é mais do que uma aventura mágica, Tainá vem nos ensinar que proteger a floresta é proteger a vida. A aventura infantil é sobretudo um convite para crianças e adultos a se apaixonarem com os encantos da floresta, ao mesmo tempo que nos faz refletir sobre a urgência de protegê-la. Trazendo a tona um assunto tão atual, o filme tece críticas inteligentes ao agronegócio de uma forma leve que pode ser absorvido até por crianças menores, enquanto também ensina a importância de cada coisa no ecossistema amazonense. Mesmo ansiosa e estabanada, a determinação de Tainá é a grande lição de moral que fica nessa aventura toda, cada erro que se comete pode abrir caminhos para maiores descobertas, assim como maiores aprendizados. 

 

Ilustradora, Designer de Moda, Criadora de conteúdo e Drag Queen.

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