Nota
2.5

“Para onde foi a Lanterna de Abóbora, também foi Halloweentown.”

Dois anos após as Cromwell se unirem para derrotar Kalabar, Aggie está morando no mundo humano, treinando sua neta Marnie e mantendo uma intensa guerra com sua filha Gwen, sempre tentando definir os rumos da jornada e a escolha da sucessora como protetora de Halloweentown, função que naturalmente deverá ser passada para Marnie em algum momento. Mas uma festa de Halloween na casa dos Cromwell inicia um pequeno desastre quando Kal e Alex, os novos vizinhos, chegam e começam a se aproximar de Marnie e Gwen. A jovem bruxa, tentando impressionar o garoto, mostra a ele o quarto secreto e mágico da avó, dando a Kal a oportunidade de roubar a Biblio Magica, viajar para Halloweentown e iniciar um plano maléfico que desregula completamente os dois mundos. O Feitiço Cinza transforma os habitantes de Halloweentown em versões humanas, cinzentas e apáticas de si mesmos, enquanto Kal revela ser o filho secreto de Kalabar, disposto a vingar o pai e concluir seu plano de assumir o controle dos dois mundos. Agora, cabe a Marnie e Aggie encontrar a Biblio Magica e descobrir o feitiço capaz de reverter a maldição lançada por Kal, antes que ele consiga lançar um feitiço sobre o mundo humano e o portal que conecta os dois mundos se feche à meia-noite.

Lançado em outubro de 2001, o longa segue os eventos do especial de Halloween lançado em 1998, trazendo um tom muito mais sombrio e sério do que seu antecessor. Apesar de possuir um roteiro muito mais conveniente e frágil, é clara a intenção de fortalecer a mitologia da franquia, ainda que o surgimento de um filho para Kalabar, que no filme anterior era escrito com “C”, soe bastante forçado. A escolha faz parecer que o filme precisou lidar com a possibilidade de transformar a história em uma franquia, corrigindo alguns pontos de uma narrativa que funcionava de maneira bastante fechada para criar brechas que pudessem ser exploradas futuramente. Isso fica ainda mais evidente quando começamos a conhecer a existência de feitiços arriscados, como o Feitiço Cinza e o Feitiço da Criatura, além do Código de Merlin, deixando claro que existe toda uma estrutura por trás do funcionamento de Halloweentown. São elementos que ampliam o universo e abrem espaço para novos aprofundamentos em futuros filmes, sejam eles sequências ou prequelas. Infelizmente, apesar de ser responsável por abrir portas importantes para a evolução da história em uma franquia, este também é o filme que mais abusa das conveniências narrativas, principalmente quando inúmeros momentos parecem extremamente forçados para fazer a trama sair do ponto A até o ponto B, como acontece na revelação do feitiço capaz de reverter o Feitiço Cinza e nas próprias motivações por trás de diversas ações de Kal.

As escolhas do elenco são outro grande erro da produção. Debbie Reynolds, como Agatha Cromwell, continua extremamente carismática e calorosa, capaz de cativar o espectador com uma facilidade impressionante, mas parece que o longa quer “aposentar” a atriz, colocando-a cada vez mais no papel de mentora da neta e reduzindo consideravelmente seu tempo de tela em relação ao filme anterior. Com isso, o foco passa principalmente para Kimberly J. Brown, Phillip Van Dyke e Daniel Kountz. Kimberly continua demonstrando naturalidade e entusiasmo suficientes para sustentar a jornada de Marnie, mas o roteiro não acompanha a mesma competência e desenvoltura da atriz. A personagem está amadurecendo e isso fica evidente, mas, ao mesmo tempo, ela se mostra facilmente manipulável por Kal durante o primeiro ato, o que permite que Kountz demonstre sua competência ao interpretar um adolescente que amadureceu cedo demais e já se tornou um supervilão dissimulado, controlador e prepotente. Novamente, porém, trata-se de um personagem cujo potencial acaba limitado pela precariedade do roteiro. Van Dyke é uma decepção como Luke, surgindo praticamente como um acessório da trama. O goblin que havia criado uma grande conexão com Marnie no primeiro filme ganha uma caracterização mais “humanizada” e perde quase toda a função que tinha anteriormente, servindo apenas como ajudante da bruxa, o que faz questionar por que ele foi escolhido para ocupar tanto espaço dentro da produção. Outra que desponta, mas acaba relegada a pouco tempo de tela, é Emily Roeske, que interpreta Sophie, irmã caçula de Marnie e um verdadeiro prodígio da bruxaria, constantemente subestimada por ser muito nova. Judith Hoag continua no papel da mãe controladora e protetora, mas toda a construção desenvolvida no primeiro filme praticamente desaparece aqui, deixando Gwen como mais um acessório da trama, assim como Dylan, o filho do meio.

Embora Halloweentown 2: A Vingança de Kalabar tenha algumas ideias interessantes para expandir o universo criado pelo primeiro filme, ele acaba sendo uma sequência inferior justamente por aquilo que deveria ser sua maior força: a tentativa de transformar Halloweentown em uma franquia. A inclusão de referências que passam pela lenda arturiana e até pela física avançada associada a Stephen Hawking mostra uma preocupação em construir uma mitologia mais ampla, mas quase tudo parece existir apenas para servir à trama imediata, sem receber o desenvolvimento necessário. O Feitiço Cinza é uma boa ideia visual e conceitual, assim como a possibilidade de explorar regras mais complexas para a magia, mas as conveniências do roteiro tornam essa expansão artificial. Enquanto o primeiro filme encontrava força justamente em sua simplicidade, este tenta ser maior sem conseguir construir uma história tão coesa. É um filme que tem ideias melhores do que sua própria execução, algumas referências curiosas e uma mitologia que começa a ganhar contornos interessantes, mas se perde em conveniências, personagens subaproveitados e uma narrativa que parece muito mais preocupada em chegar ao próximo ponto do que em construir organicamente sua jornada.

“Nós mostraremos ao Kal que as Cromwell não são facilmente vencidas”

 

 

Sonhador nato desde pequeno, Designer Gráfico por formação e sempre empenhado em salvar o reino de Hyrule. Produtor de Eventos e CEO da Host Geek, vem lutando ano após ano para trazer a sua terra toda a experiência geek que ela merece.