Nota
3.5

“Eu sou o homem que chamam de Jigsaw. O seu dever é me prender, mas eu sei quem você é e sei o que você fez.”

Depois dos eventos de Jogos Mortais 4, Mark Hoffman parece ser o único capaz de dar continuidade ao legado de Jigsaw, assumindo o papel de seu sucessor após a morte de John Kramer. Seus planos, porém, começam a desmoronar quando Peter Strahm sobrevive à armadilha em que foi colocado e passa a investigar a identidade do novo assassino. Cada vez mais próximo de desmascará-lo, o agente se torna uma ameaça que Hoffman precisa eliminar a qualquer custo, dando início a um jogo de manipulação no qual apagar os próprios rastros se torna tão importante quanto manter o legado de seu mentor. Paralelamente, cinco pessoas acordam em um esgoto e descobrem que precisam enfrentar uma sequência de desafios mortais, nos quais a sobrevivência depende de aprender a trabalhar em conjunto.

A teia de acontecimentos da franquia continua se expandindo. O final de Jogos Mortais 3 deixou Jeff Reinhart preso em um novo jogo para salvar sua filha, Corbett, enquanto Jogos Mortais 4 conectou essa situação ao momento em que Peter Strahm cruza o caminho de Jeff, mata o homem e acaba preso em sua própria armadilha. Agora, chegou a hora de descobrir como Mark Hoffman, que assumiu a identidade de seu mentor, pode manter seus jogos vivos. Seus planos, porém, começam a correr perigo quando seu segredo é ameaçado, obrigando-o a recorrer a armadilhas cada vez mais elaboradas e brutais para eliminar qualquer evidência que possa conectá-lo ao assassino que agora representa. Enquanto Hoffman tenta controlar os danos e proteger sua identidade, Strahm se recusa a abandonar a investigação, aproximando-se perigosamente da verdade e transformando essa disputa em uma corrida contra o tempo.

A narrativa se divide em três frentes que se complementam ao longo do filme. A principal acompanha o confronto entre Hoffman e Strahm, transformando a investigação em uma disputa de inteligência na qual cada movimento pode revelar a identidade do assassino ou condenar quem chega perto demais da verdade. Em paralelo, o jogo de Charles, Mallick, Luba, Ashley e Brit desenvolve uma trama de sobrevivência marcada pelo egoísmo e pela dificuldade de confiar nos outros, embora sua conexão com o restante da história nem sempre receba a mesma atenção. A terceira frente, explorada em flashbacks, revela gradualmente como Hoffman se tornou aprendiz de Kramer e apresenta Seth Baxter, cuja morte na armadilha de abertura é fundamental para compreender essa relação. Ao revisitar acontecimentos anteriores sob uma nova perspectiva, o filme amplia a mitologia da franquia e finalmente começa a responder a uma pergunta que permanecia em segundo plano: qual era, afinal, o envolvimento de Hoffman na criação das armadilhas dos filmes anteriores? Essa estrutura reforça a continuidade entre os capítulos e procura dar mais consistência ao legado de Jigsaw, embora o equilíbrio entre as três tramas seja essencial para que todas tenham o impacto desejado.

A direção agora passa para as mãos de David Hackl, que trabalhou como designer de produção nos quatro primeiros filmes, e o canadense demonstra ter feito a lição de casa ao dar continuidade à evolução iniciada por Darren Lynn Bousman. Em vez de apostar excessivamente no gore, o longa investe em uma trama repleta de tensão, revelações e reviravoltas, reservando a violência gráfica para momentos específicos, que são dolorosamente explícitos, mas necessários para produzir o impacto desejado. Patrick Melton e Marcus Dunstan retornam como roteiristas, dessa vez sem Thomas H. Fenton, e a manutenção da dupla talvez explique a atenção dedicada à mitologia da franquia. Com a participação cada vez menor de Tobin Bell, enriquecer esse universo se torna uma escolha inteligente para manter a identidade de Jogos Mortais e sustentar o interesse do público. O problema é que essa construção desemboca em um desfecho agridoce, que surpreende, mas também deixa dúvidas sobre suas intenções. A conclusão parece encaminhar a narrativa para um encerramento específico, até que tudo muda abruptamente, criando um cliffhanger que soa tão grandioso quanto difícil de sustentar. A sensação é de que o filme prepara terreno para uma continuação que, naquele momento, parece quase impossível de concretizar sem comprometer o que acabou de apresentar.

Scott Patterson, como o agente Peter Strahm, e Costas Mandylor, como o detetive Mark Hoffman, assumem o protagonismo dessa disputa, sustentando uma trama que depende diretamente do confronto entre os dois. A dinâmica funciona porque ambos representam lados distintos de um jogo de inteligência no qual a investigação pode se tornar tão mortal quanto as próprias armadilhas de Jigsaw. Enquanto Strahm se aproxima cada vez mais da verdade, Hoffman precisa improvisar para preservar sua identidade e impedir que o legado de Kramer desmorone em suas mãos. Mark Rolston também ganha espaço como o agente Dan Erickson, cuja introdução parece preparar o terreno para acontecimentos maiores em um capítulo futuro. Sua presença amplia as possibilidades da investigação, mas deixa questões importantes em aberto, reforçando a impressão de que Jogos Mortais 5 está tão preocupado em construir o próximo passo da franquia quanto em concluir satisfatoriamente a própria história.

Jogos Mortais V é uma continuação que entende a importância de expandir a mitologia da franquia, principalmente em um momento no qual a ausência de John Kramer exige que novos personagens sustentem o legado do assassino. Ao explorar o passado de Hoffman e revelar sua participação nos acontecimentos anteriores, o longa acrescenta novas camadas à história e transforma a investigação de Strahm em um dos pontos mais interessantes da narrativa. Entre a investigação policial, a disputa entre os dois agentes e as armadilhas que colocam novas vítimas à prova, Jogos Mortais V dá continuidade aos acontecimentos anteriores enquanto explora os bastidores da sucessão de Jigsaw. O problema é que nem todas essas frentes recebem o mesmo cuidado, e o jogo principal acaba ficando em segundo plano diante da disputa entre Hoffman e Strahm, que concentra os momentos mais envolventes do filme. David Hackl demonstra compreender a identidade da franquia, equilibrando suspense, violência gráfica e reviravoltas, mas o desfecho é uma faca de dois gumes: surpreende pela maneira como altera o rumo da história, porém deixa a sensação de que a narrativa foi interrompida justamente quando deveria entregar respostas mais satisfatórias. Ainda assim, o filme cumpre seu papel ao fortalecer a mitologia de Jogos Mortais e preparar o terreno para os próximos capítulos. Não é um dos episódios mais impactantes da franquia, mas sua contribuição para a história de Hoffman faz dele uma peça importante para compreender como o legado de Jigsaw continua se transformando mesmo depois da morte de seu criador.

“Está numa encruzilhada detetive, faça a sua escolha”

 

Sonhador nato desde pequeno, Designer Gráfico por formação e sempre empenhado em salvar o reino de Hyrule. Produtor de Eventos e CEO da Host Geek, vem lutando ano após ano para trazer a sua terra toda a experiência geek que ela merece.