Crítica | O Diabo Veste Prada 2 (The Devil Wears Prada 2)

Nota
4

A jornalista investigativa, Andrea Sachs (Anne Hathaway), tomou o maior baque após ser demitida por sms no exato momento que ela ia receber seu prêmio como uma das melhores jornalistas por seu trabalho, o que a leva a dar um discurso muito emocionante sobre as condições de trabalho dos jornalistas nos dias de hoje. Mas mesmo com um discurso que atingiu muitas pessoas, ela ainda se sente desesperada por estar sem emprego, ainda em um apartamento caindo aos pedaços. O que ela não contava é que, 20 anos após trabalhar em uma das maiores revistas de moda do mundo, a Runway a chamaria de volta para redigir artigos para limpar a imagem da empresa, visto que um enorme exposed chocou a internet expondo os podres de condições de trabalho dos funcionários de Miranda Priestly (Meryl Streep). Agora admitida de volta pelos superiores de Miranda, Andy terá que se reconciliar com a megera que nem sequer se lembra de quem ela é, para se provar não só como jornalista, mas também para obter a aprovação e reconhecimento de sua antiga chefe. Após 20 anos do sucesso do seu primeiro filme, O Diabo Veste Prada 2 chega para agraciar os fãs de Miranda Priestly com uma continuação que não sabíamos ser necessária até termos ela em mãos.

Após passar décadas negando o retorno da tão amada Miranda Priestly, Meryl Streep aparentemente mudou de opinião com relação a sua política de não fazer sequências de seus filmes. Quando perguntada em entrevistas se ela retornaria para viver a personagem novamente ela sempre respondia “Não!” seguido de desculpas como “Depende do roteiro…” mas já desviando da conversa, mostrando realmente um grande desinteresse por uma continuação. O primeiro filme de 2006 é uma adaptação do livro de mesmo nome publicado em 2003, que conquistou não só os leitores estadunidenses como também os britânicos e os franceses. Após o sucesso do primeiro filme, a autora Lauren Weisberger, decidiu lançar uma sequência, intitulada A Vingança Veste Prada. Só restou saber se tantas recusas de Meryl Streep se davam ao fato de um possível contato com o segundo livro que desagradou a atriz, visto também que a nova adaptação ao cinema se distancia completamente do rumo que a história tomou com sua continuação literária, tendo mais liberdades criativas e deixando a história mais atualizada.

Temos nesse novo filme retornantes aos seus papéis originais, como as já citadas Anne Hathaway e Meryl Streep, mas também ícones do primeiro filme, como Emily Blunt e Stanley Tucci que revivem Emily e Nigel em suas versões atuais. Há também estreantes no elenco, como as participações de Lucy Liu como Sasha Barnes e Simone Ashley vivendo a nova secretária Amari, além de diversas aparições de famosos vivendo eles mesmos como a icônica Donatella Versace, e até a própria Lady Gaga, que não só atua no filme como ela mesma mas também assina a trilha sonora do filme com músicas inéditas. Trilha sonora inclusive que não se resume apenas a Gaga, mas conta com nomes como Miley Cyrus, Dua Lipa e claro a icônica sequência de “Vogue” de Madonna que volta a ser referenciada nesta sequência. Outro nome que compõe a trilha sonora é a rapper Doechi na sua mais recente colaboração com Lady Gaga, lançada 4 dias antes do lançamento, nos Estados Unidos, para promover o filme.

Apesar de ser uma boa sequência, O Diabo Veste Prada 2 não propõe grandes mudanças na sua história, como o segundo livro propôs. A sequência segue as vidas de todos de uma forma até simples, sem grandes aprofundamentos, mas todos seguem sua construção de personagem de onde pararam. Apesar de mais madura, Andy se mostra a mesma menina que busca por aprovação, mas a sua experiência se mostra nas formas mais maduras que ela usa para lidar, não só com a Miranda, mas também com os problemas que chegam até ela e até os que ela mesma cria. Miranda é a personagem que se mantém mais constante, com poucos momentos de humanidade e vulnerabilidade mostrados na medida certa assim como no primeiro filme, mas é muito engraçado vê-la ter que se adaptar às novas leis trabalhistas e a nova geração que não aceita calado os abusos que ela fazia há 20 anos atrás.

Emily é na verdade a personagem que mais tem uma mudança de perspectiva, sendo alguém que muda completamente do primeiro filme para cá por conta de suas mudanças de objetivo de vida, agora que ela já não trabalha mais para a Miranda. Emily, que deveria ser a grande vilã desse novo filme segundo a continuação literária, tem uma jornada mais complexa e interessante do que a caricata vilã de desenho animado proposta pela autora, seguindo uma rota completamente diferente do original.

Nostalgia, moda e poder, a continuação que ninguém esperava, mas todos queriam: Com um figurino deslumbrante e uma roupagem mais moderna, O Diabo Veste Prada 2 se baseia na nostalgia para entregar um filme sobretudo divertidíssimo. Mesmo sem um roteiro revolucionário, embora super divertido, o novo longa da franquia aposta no carisma do seu elenco principal junto com novas adições de peso como Lucy Liu e Simone Ashley para agradar os fãs mais uma vez com os dilemas do mundo da moda, agora com uma visão do mercado contemporâneo após a decadência das revistas num modo geral. Apesar de ter perdido um pouco das cores e iluminação vibrante do início dos anos 2000, o filme agora investe em figurinos ainda mais icônicos, com as parcerias de marcas de alta costura como Dior, Louis Vuitton, Chanel e Tiffany, assim como uma trilha sonora atualizadíssima, assinada por nada mais do que Lady Gaga e outros nomes de peso. E mesmo sendo a principal, a Andy acaba sendo ofuscada pelos desenvolvimentos de outros personagens como o Nigel e a Emily, mas também ilustra bem a sua jornada nessa nova história e os motivos que o “destino” reuniu todos eles novamente.

 

Ilustradora, Designer de Moda, Criadora de conteúdo e Drag Queen.

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