Nota
Julia (Mônica Martelli) e Clara (Ingrid Guimarães) são amigas há anos e anos. Fizeram tudo juntas desde tanto tempo que elas nem se lembram de como era a vida antes delas se conhecerem. Tudo elas fazem juntas, até engravidaram juntas das suas filhas, Manu (Giulia Benite) e Isadora (Gabi Amaral), que acabaram também se tornando grandes amigas de infância. A conexão das meninas foi tanta, que elas decidiram juntas pedir para as mães para terminar o ensino médio em Portugal, como uma forma de intercâmbio, na casa do pai de Manu, que hoje em dia mora com outra pessoa. Julia e Clara acham ótima a ideia, especialmente Clara, que agora pode ter menos preocupações, já que ela faz tudo em casa para o marido, enteado e até a própria sogra. Mas, em meio a solidão de ter deixado sua filha ir embora e ficar sozinha, Julia decide clamar a Clara para elas terem um momento sozinhas como amigas para viajarem e terem novas experiências, até porque Clara que se sente presa e sufocada em seu casamento não pensa duas vezes, e as duas vão visitar as meninas em Portugal, para terem a experiência mais louca ao se conhecerem melhor, e conhecerem de fato as suas filhas.

Com uma vasta experiência com Mônica Martelli e Ingrid Guimarães, a diretora Susana Garcia que já trabalhou em projetos como Minha Vida em Marte (2018) e Minha Mãe é uma Peça 3 (2019), reunir essas duas amigas da vida real para Minha Melhor Amiga não foi uma tarefa tão fácil quanto parece. O roteiro do filme foi escrito em conjunto por Mônica Martelli, Ingrid Guimarães e mais outras 4 integrantes, baseadas nas desventuras reais das duas amigas em suas viagens e no seu dia a dia de tantos anos de amizade. No longa é de fato difícil acreditar que havia um roteiro para as duas seguirem, já que elas levam tudo com tamanha espontaneidade que parece que a diretora apenas ligou a câmera e acompanhou uma viagem das duas amigas, onde inclusive há momentos que parece bastante que a espontaneidade das duas foi utilizada para agregar no enredo rápido e dinâmico.
Minha Melhor Amiga fala sobre diversos temas, que vão desde a própria amizade, vivências femininas e sobretudo a vida pós menopausa, trazendo temas tão importantes quanto a sexualidade da mulher pós menopausa, o funcionamento do corpo, entre outros. O que nos leva a pensar que de fato é um filme feito para mulheres mais velhas que irão se identificar com os temas, mas que também irão levar suas filhas para assistir, o que explica o ritmo tão acelerado do filme, quase beirando as “novelinhas” de Tiktok no começo do filme, que traz tantas informações uma atrás da outra sem um respiro, mas que faz sentido se for para tentar agradar os dois públicos completamente distintos.
O ponto alto do filme, claro que não teria como ser diferente, a sinergia das nossas protagonistas. Martelli e Guimarães trouxeram os nomes de suas filhas, Julia e Clara, para as suas personagens do filme, talvez até como uma imaginação de como será o futuro dessa amizade que passará para a geração de suas filhas. Apesar de não ser uma comédia romântica, o romance se faz presente no filme com a personagem da Julia, que é solteira e busca se aventurar com novos amores, mesmo que ela seja traumatizada com isso, e da Clara, que passa por crises em seu relacionamento. O romance em si, não é um ponto muito alto, já que a química dos personagens Julia e Nuno, por exemplo, é bem mínima, mas é interessante ver como essa construção vai amadurecendo as discussões sobre descoberta do próprio corpo para as mulheres pós menopausa, já que Clara passa por um arco muito importante no filme que a leva a um autoconhecimento importante, com um texto que pode inspirar mulheres que passam pela mesma situação que ela a mudar de vida.

Com uma história bem humorada e inspiradora, Mônica Martelli e Ingrid Guimarães trazem sua amizade para as telonas. Minha Melhor Amiga talvez nem seja sobre duas mulheres que viajam para Portugal para conhecer melhor as próprias filhas, mas sobre duas amigas que, depois de uma vida inteira fazendo tudo juntas, finalmente precisam se reencontrar consigo mesmas. Em uma jornada dupla à moda de Comer, Rezar e Amar (2010), nós acompanhamos a jornada dessas duas amigas de uma forma super íntima, como se estivéssemos acompanhando junto com elas, entre piadas, crises, descobertas e várias espontaneidades no roteiro, para mostrar que nunca é tarde para mudar, se descobrir e, principalmente, escolher quem queremos ter ao nosso lado nessa jornada. Para acompanhar essa aventura de uma amizade verdadeira que transcende as telas, só correr para os cinemas nacionais a partir do dia 3 de setembro, para conferir a estreia de Minha Melhor Amiga.